Lula diz que Bolsonaro ‘governa para milicianos’ e pede desculpas a policiais

Sem poder falar como candidato por causa das leis eleitorais, petista afirmou que instituições serão respeitadas e que a “liberdade voltará a abrir as asas sobre o Brasil” quando alguém melhor que o atual presidente estiver no cargo

  • Por Jovem Pan
  • 01/05/2022 16h44 - Atualizado em 01/05/2022 16h51
RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Lula discursa para apoiadores em ato de comemoração ao Dia do Trabalhador Lula discursou por 15 minutos em ato de comemoração ao Dia do Trabalhador

O ex-presidente Lula, que será o candidato do PT à presidência nas eleições de 2022, participou de ato promovido por centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalhador em frente à Praça Charles Miller, em São Paulo, neste domingo, 1ª de maio, e fez um discurso de 15 minutos. O petista já começou a falar pedindo desculpas aos policiais por fala do sábado, 30 de abril, em que disse que o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) gosta apenas de polícia; segundo ele, a intenção era dizer que Bolsonaro gosta apenas de milícia, e os policiais devem ser tratados como trabalhadores que são por seus apoiadores. A fala do sábado foi muito criticada por Bolsonaro e outros políticos ligados a ele. Ao longo do discurso, Lula disse que não poderia fazer afirmações como candidato por causa da lei eleitoral, então poderia apenas citar dados positivos de quando esteve no governo, como o aumento real do salário mínimo, a inflação baixa e a geração de empregos. Anteriormente, apoiadores de Bolsonaro já haviam dito que ele não discursou em ato em Brasília também por causa da lei eleitoral, e o presidente teve apenas uma breve fala transmitida por vídeo em ato na Avenida Paulista, em São Paulo.

Lula voltou a associar Bolsonaro a milicianos em outro ponto da fala. Ao dizer que os líderes de centrais sindicais tinham interlocução com o governo quando ele era presidente, o ex-presidente disse que o atual ocupante do cargo governa apenas para milicianos, “como os que mataram Marielle Franco”, e cobrou respostas sobre a autoria do assassinato da vereadora carioca, ocorrido em 2018. Ainda comentou que deseja encerrar o clima de ódio e divisão entre famílias, vizinhos e comunidades. Por fim, apesar de evitar projetar que ele próprio assumirá a presidência depois das eleições, disse que em outubro, “a liberdade voltará a abrir as asas sobre o Brasil”, e fez promessas como levar internet banda larga para todo o país, “para que o filho do camponês tenha a internet que ‘eles’ têm”, que a Petrobras será recuperada e o setor cultural será reavivado porque tem potencial de gerar empregos, além de garantir que respeitará as instituições. Outros políticos e líderes sindicais presentes na manifestação incentivaram gritos de ‘fora Bolsonaro’ e em apoio a Lula, e citaram as eleições.