Fundador da Reag nega ligação com PCC e confirma Master entre clientes à CPI

João Carlos Mansur afirmou que a empresa de investimentos foi penalizada por ser ‘grande e independente’

  • Por Jovem Pan*
  • 11/03/2026 13h20
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Divulgação CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que teve sua liquidação extrajudicial decretada nesta quinta-feira (15), é a nova identidade jurídica da Reag Trust DTVM A Reag teve a liquidação extrajudicial decretada pelo BC em janeiro

O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, confirmou nesta quarta-feira (11), à CPI do Crime Organizado, que o Banco Master era um dos clientes da administradora de recursos.

A declaração foi dada ao explicar como era a empresa, em solicitação feita pelo presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES). “O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado, um cliente como o senhor, como eu, como o nosso advogado. Então, normal”, disse.

Mansur afirmou que a Reag foi penalizada por ser “grande e independente”. Nosso mercado penaliza o independente”, disse.

Ele negou ainda ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Trabalhamos de forma muito diligente, muito consciente. Infelizmente passou um rolo compressor. Nós não temos nenhuma ligação. Como o nosso advogado, o nosso patrono acabou de colocar, no procedimento da Carbono Oculto, em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado”, afirmou aos senadores.

Questionado por Contarato sobre a que atribuía a associação feita entre a Reag e o PCC nas investigações, Mansur afirmou que ficaria calado, por estar “em um ambiente público”.

A postura foi adotada em todo o depoimento. Mansur não respondeu às perguntas, com base em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que assegurou a ele o direito ao silêncio em relação a fatos que pudessem implicar em sua autoincriminação na CPI.

Na primeira fase da Compliance Zero, a Polícia Federal investigou um esquema de vendas de carteiras de crédito inexistentes pelo Master ao Banco de Brasília (BRB). O Banco Central alertou a PF e o Ministério Público Federal (MPF) sobre o suposto esquema bilionário entre Master e Reag, que agiria como operadora da triangulação de recursos oriundos de fraudes.

A gestora já havia sido alvo de outra investigação. Em agosto, entrou na mira da Carbono Oculto, na qual PF e Ministério Público Federal apuraram um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A Reag teve a liquidação extrajudicial decretada pelo BC em janeiro de 2026.

*Com Estadão Conteúdo

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