Major Olimpio foi sindicalista, teve guinada à direita e apoiou Bolsonaro em 2018

Trajetória política do senador foi controversa; parlamentar teve morte cerebral decretada nesta quinta-feira, 17, após complicações da Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 18/03/2021 17h42 - Atualizado em 18/03/2021 18h03
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOMajor Olimpio destacou-se no cenário político ao realizar forte oposição aos governos do PT

O senador Major Olimpio (PSL-SP) morreu nesta quinta-feira, 18, em decorrência de complicações da Covid-19. A informação de sua morte cerebral foi confirmada através das redes sociais do parlamentar. Com sua precoce partida, aos 58 anos, Major Olimpio deixa um importante legado na história política brasileira. Em 2018, ele foi o senador mais votado, com nove milhões.

Antes de tornar-se conhecido como Major Olimpio, Sérgio Olimpio Gomes criou suas raízes no interior do estado de São Paulo, em Presidente Venceslau, cidade em que nasceu. Aos 20 anos, formou-se como policial militar, profissão que exerceu por 29 anos. Além disso, carregava os diplomas de ciências jurídicas e sociais, jornalismo e educação física. Em 2006, ingressou na carreira pública elegendo-se deputado estadual pelo Partido Verde de São Paulo. Quatro anos depois, em 2010, Major ingressou no Partido Democrático Trabalhista (PDT), onde alicerçou uma forte oposição ao PSDB de São Paulo. Ainda no segundo mandato como deputado estadual, em 2010, assumiu a liderança do PDT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Para ingressar no recém-criado Partido da Mulher Brasileira (PMB), no qual permaneceu por quatro meses antes de filiar-se ao Solidariedade (SD), Major deixou o PDT em 2015 – ano em que assumiu a cadeira de deputado federal.

Ascensão meteórica à direita

Após 2015, Major Olimpio destacou-se nacionalmente no cenário político ao realizar uma forte oposição aos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e alinhar-se aos partidos e ideais de direita. O parlamentar foi lembrado diversas vezes por sua participação na cerimônia de posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil da gestão de Dilma Rousseff, em março de 2016, quando gritou “vergonha” e foi hostilizado pelos seguranças do local. Como deputado federal, ganhou notoriedade ao apoiar a abertura do processo de impeachment de Dilma e fazer fortes críticas ao governo Michel Temer, opondo-se à PEC do Teto de Gastos Públicos e à Reforma Trabalhista.

Nas eleições de 2018, Olimpio declarou apoio à candidatura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e filiou-se ao Partido Social Liberal (PSL). Neste período, lançou-se ao Senado, sendo eleito como o mais votado do estado de São Paulo e levando à Casa pautas conservadoras, como a flexibilização dos armamentos para a população. Olimpio distanciou-se do presidente após o primeiro ano de mandato, desaprovando sua conduta frente à operação Lava Jato. Desde 2020, o parlamentar criticava duramente a condução da pandemia do novo coronavírus no estado de São Paulo, chegando, até mesmo, a protocolar um pedido de impeachment contra o governador João Doria (PSDB). Como um de seus últimos atos na política, Major anunciou sua candidatura à Presidência do Senado neste ano, mas desistiu para apoiar Simone Tebet.

Família

O senador Major Olimpio deixa a esposa, Claudia Regina Olímpio Gomes, e dois filhos, Mariana Bezerra Olímpio Gomes e Fernando Bezerra Olímpio Gomes. Além de informar sua morte, a família do parlamentar publicou uma homenagem em suas redes sociais. “Com muita dor no coração, comunicamos a morte cerebral do grande pai, irmão e amigo, Senador Major Olimpio”, afirmaram.