Major Olimpio se lança à presidência do Senado 

Em carta aberta divulgada nesta quarta-feira, líder do PSL no Senado condena tentativa de Alcolumbre de buscar recondução ao cargo e fala em ‘defesa da democracia’

  • Por André Siqueira
  • 07/10/2020 15h22
Geraldo Magela/Agência SenadoMajor Olimpio foi eleito ao Senado em 2018, com mais de 9 milhões de votos

O senador Major Olimpio (PSL-SP) lançou sua candidatura à presidência no Senado na tarde desta quarta-feira, 7. Em uma carta aberta endereçada ao “Muda Senado”, grupo formado por senadores de vários partidos e que defende pautas como a Operação Lava Jato e a renovação política, e do qual ele faz parte, o líder do PSL na Casa condena a tentativa do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), atual presidente, de buscar a recondução ao posto, e fala em “defesa da democracia” – a Constituição Federal proíbe a reeleição de membros das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara em duas eleições consecutivas. “Todo cidadão com espírito democrático é contra mudar a Constituição casuisticamente, pois não estamos falando de um estatuto ou regulamento, mas sim da carta maior que rege todo nosso ordenamento jurídico. Menos ainda acho crível tentar interpretá-la de forma a anular seu texto expresso e claro, para garantir projetos de poder pessoal, tanto na Câmara quanto no Senado”, diz um trecho do documento, obtido pela Jovem Pan.

Olimpio não é o primeiro membro do “Muda Senado” a lançar sua candidatura à presidência do Senado. Outro nome que se colocou à disposição do grupo foi o senador Kajuru (Cidadania-GO), crítico ferrenho da gestão de Alcolumbre. Na carta divulgada na tarde desta quarta-feira, Major Olimpio diz que segue “irmanado” com os demais integrantes do grupo, e ressalta que tem “a certeza de que juntos chegaremos a uma decisão de uma candidatura própria ou de apoio
a uma candidatura”. Para o líder do PSL, é fundamental que o nome escolhido defenda pautas como a criação da Comissão Permanente de segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, como forma da desafogar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a diminuição dos gastos e do orçamento do Senado, e o respeito às decisões da maioria expressa pelo Plenário, “tais como instalação de CPI, abertura de processo de impeachment, e qualquer  outro rito ou procedimento que seja de competência do Senado Federal e do Congresso Nacional”. Nestes dois anos de legislatura, o “Muda Senado” tentou, sem sucesso, instalar a CPI da Lava Toga, destinada a investigar ministros do Supremo Tribunal Federal, e pautar a análise de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.

Eleito ao Senado em 2018, com mais de 9 milhões de votos, Olimpio rompeu com o Palácio do Planalto por considerar que o presidente Jair Bolsonaro se distanciou das pautas defendidas durante a campanha, como o combate intransigente à corrupção, fortalecimento da Operação Lava Jato e fim do chamado “toma lá, dá cá”, prática fisiologista na qual parlamentares aprovam matérias de interesse do governo em troca de cargos e emendas. Desde que passou a adotar postura crítica em relação ao governo federal, o senador se tornou alvo da militância digital que apoia Bolsonaro.