Na mira do TCU, Moro diz que recebeu 45 mil dólares por mês da Alvarez & Marsal

Revelação foi feita em live realizada ao lado do deputado federal Kim Kataguiri (Podemos-SP); informações serão repassadas à Corte

  • Por Jovem Pan
  • 28/01/2022 18h53 - Atualizado em 28/01/2022 18h58
Cleia Viana/Câmara dos Deputados - 24/04/2020 Ex-ministro da Justiça em audiência na Câmara dos Deputados Parlamentares também aventaram coletar assinaturas para instalar CPI para apurar conduta de Sergio Moro na consultoria

Em uma live realizada ao lado do deputado federal Kim Kataguiri (Podemos-SP), o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro revelou que recebeu um salário de 45 mil dólares, cerca de R$ 240 mil, no período em que trabalhou para a Alvarez & Marsal, consultoria americana que presta serviços a empreiteiras investigadas pela força-tarefa. A revelação também ocorre depois de o Tribunal de Contas da União (TCU) formalizar um pedido para que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública tornasse público os rendimentos obtidos entre dezembro de 2020 e novembro de 2021, período em que esteve na companhia – Moro partiu para a iniciativa privada depois de pedir demissão do governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Não estou fazendo isso por CPI. Eles recuaram porque sabem que não tem nada de errado, e também não estou fazendo isso pelo TCU, que está abusando do poder. Eu acho que como pessoa que está se colocando como pré-candidato à Presidência, a gente tem um dever de transparência. Eu nunca trabalhei para a Odebrecht. Na verdade, eu desmantelei o esquema de corrupção da Odebrecht”, disse no início da transmissão ao vivo. A Alvarez & Marsal vai apresentar os dados compilados ao TCU ainda nesta sexta-feira. A polêmica em torno dos rendimentos de Moro foi levantada por causa dos clientes da consultoria, como a Odebrecht. Como magistrado, ele foi responsável por autorizar acordos de leniência e delações premiadas que beneficiaram executivos e sócios da empreiteira. A ideia de coletar assinaturas para investigar a conduta do agora presidenciável do Podemos conta com o apoio de parlamentares do PT e do Centrão, mas perdeu força nos últimos dias.