Presidente do STJ pede investigação contra Deltan Dallagnol e procurador da Lava-Jato

Mensagens vazadas de membros da força-tarefa mostram que eles pretendiam investigar, sem autorização, o patrimônio de ministros do Superior Tribunal de Justiça

  • Por Jovem Pan
  • 06/02/2021 12h10 - Atualizado em 06/02/2021 12h16
Renato S. Cerqueira/Estadão ConteúdoO procurador Deltan Dallagnol deve ser investigado pela Procuradoria-Geral da República

Os procuradores Deltan Dallagnol, ex-coordenador da Lava Jato no Paraná, e Diego Castor de Mattos, que integrou a força-tarefa, serão investigados após terem pedido, sem autorização, o escrutínio da movimentação patrimonial de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Humberto Martins, presidente do tribunal, pediu que o procurador-geral da República, Augusto Aras, apure se os dois cometeram algum crime. O ofício foi solicitado depois que uma reportagem da CNN Brasil revelou a troca de mensagens entre Dallagnol e Castor de Mattos.

As mensagens fazem parte do pacote de conversas apreendidas na Operação Spoofing e cujo acesso foi autorizado à defesa do ex-presidente Lula (PT) pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na conversa, Dallagnol instiga o colega a levantar, com a ajuda da Receita Federal, o patrimônio de ministros do STJ. “A RF pode, com base na lista, fazer uma análise patrimonial, que tal? Basta estar em EPROC [processo judicial eletrônico] público. Combinamos com a RF”, escreveu Deltan para, em seguida, emendar: “Furacão 2”. Diogo Castor de Mattos respondeu que Felix Fischer (ministro do STJ) é “um cara serio”. “Furacão 2” seria uma referência à operação Furacão, deflagrada em abril de 2007 e que atingiu o então ministro do STJ Paulo Medina, denunciado por integrar um esquema de venda de sentenças judiciais.

Humberto Martins afirma que as informações são “graves” e pediu a Aras que “tome as necessárias providências para a apuração de condutas penais, bem como administrativas ou desvio ético dos procuradores nominados e de outros procuradores da República eventualmente envolvidos na questão”. O vazamentos das mensagens de membros da Lava Jato intensificaram a estratégia da defesa de Lula de reforçar a acusação de que o ex-juiz Sergio Moro agiu com parcialidade ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do triplex do Guarujá. Os procuradores da República que integraram a Lava Jato reiteram que jamais praticaram qualquer ato de investigação sobre condutas de detentores de foro privilegiado, sejam ministros do STJ ou não.

*Com informações do Estadão Conteúdo