PSL convoca reunião para punir deputados que sinalizaram apoio a Arthur Lira

Representações contra 20 parlamentares, entre eles Eduardo Bolsonaro (SP), foram apresentadas pelo vice-presidente da sigla, Júnior Bozzella; direção da legenda apoia a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP)

  • Por André Siqueira
  • 08/01/2021 18h46
Estadão ConteúdoReunião ocorrerá na terça-feira, 12, às 09h, na sede da sigla, em Brasília

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, convocou uma reunião extraordinária da Executiva Nacional do partido, marcada para às 09h da terça-feira, 12, para analisar o pedido de punição a 20 deputados federais que cometeram atos de infidelidade partidária ao assinar a lista de apoio à candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara dos Deputados. As representações foram apresentadas pelo deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP), vice-presidente da sigla. “O Presidente Nacional do Partido Social Liberal, o Sr. Luciano Caldas Bivar, no uso de suas atribuições estatutárias, vem convocar todos os membros da Comissão Executiva Nacional para participarem da
Reunião a ser realizada no dia 12 de janeiro de 2021, com início às 09:00h, na sua sede localizada no SHS, a fim de deliberarem sobre o recebimento e encaminhamento ao Conselho de Ética, Disciplina e Fidelidade Partidária de 20 (vinte) representações apresentadas a esta Comissão Executiva Nacional”, diz o edital de convocação, obtido pela Jovem Pan.

Serão analisadas possíveis punições aos seguintes deputados: Ale Silva, Aline Sleutjes, Bia Kicis, Bibo Nunes, Carla Zambelli, Carlos Jordy, Caroline de Toni, Chris Tonietto, Coronel Tadeu, Daniel Silveira, Eduardo Bolsonaro, Filipe Barros, General Girão, Guiga Peixoto, Helio Lopes, Junio Amaral, Major Fabiana, Marcio Labre, Sanderson e Vitor Hugo. Como a Jovem Pan mostrou, dos 53 parlamentares que compõem a bancada do PSL na Câmara, 32 assinaram uma lista, articulado por Vitor Hugo, para formalizar apoio a Lira, candidato apoiado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro – a direção do partido apoia a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), escolhido pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para sucedê-lo. Dos 32, porém, 17 estão com suas atividades parlamentares suspensas – a medida é um desdobramento da crise que aflige o partiado desde outubro de 2019, quando Bolsonaro disse a um apoiador que Bivar estava “queimado para caramba”. À época, o presidente da República se desfiliou do PSL e anunciou a criação do Aliança Pelo Brasil, que ainda não saiu do papel.

À Jovem Pan, Bozzella afirmou que as representações foram feitas pelo “conjunto da obra” envolvendo os deputados que, na avaliação da cúpula do partido, têm cometido atos de infidelidade partidária. “Eu vinha cobrando há tempo a Executiva Nacional para que pudéssemos nos reunir para deliberar esses assuntos. A reunião servirá para que possamos seguir os trâmites dentro do Conselho de Ética até culminar nas expulsões”, disse à reportagem. O vice-presidente do partido também afirmou que a assinatura da lista é “mais uma tentativa falida de golpe baixo de uma ala esquizofrênica que jamais irá prosperar num partido sério e responsável”.