Renan Calheiros diz que CPI da Covid-19 vai indiciar Bolsonaro ‘com certeza’

Segundo o relator da comissão, diversos tipos penais serão utilizados para indiciar mais de 30 pessoas e encaminhar para instâncias cabíveis

  • Por Jovem Pan
  • 05/10/2021 12h28 - Atualizado em 05/10/2021 12h31
Foto: Pedro França/Agência Senado Renan Calheiros O relator da CPI da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL) em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, 05, antes do início dos trabalhos na comissão

Em entrevista coletiva no Senado Federal nesta terça-feira, 05, o relator da CPI da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que a comissão parlamentar de inquérito vai indiciar mais de 30 pessoas, a partir das provas coletadas nos depoimentos ouvidos pelo colegiado, composto por 11 parlamentares. Segundo o senador, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estará entre eles “com certeza”. “Nós não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório, ele com certeza será indiciado, sim, pelo que praticou”, disparou Calheiros aos jornalistas ao ser questionado sobre a situação do chefe do executivo.

“Ainda não há uma quantificação de indiciados, mas será um pouco mais de 30. Uma informação muito importante é que nós vamos mandar para a Procuradoria Geral da República (PGR) apenas o que couber a ela. E vamos destrinchar [o relatório] para mandar para o Tribunal de Contas da União (TCU), para o Ministério Público do Distrito Federal, o de São Paulo e de outros estados os outros aspectos do próprio relatório. A PGR vai avaliar no prazo de 30 dias, segundo a legislação, aqueles que tiverem foro especial, que, portanto, devem ser examinados por ela. Vamos adicionalmente entregar os elementos probantes juntados ao longo dos nosso trabalhos tanto à comissão parlamentar de inquérito da Câmara Municipal de São Paulo quanto a da ALESP e ao MP do Estado de São Paulo também”, afirmou.

Ainda na entrevista coletiva, Calheiros deu pistas de outros possíveis nomes que deverão ser indiciados a partir dos argumentos do relatório: “ministros, aquelas pessoas que tiveram participação efetiva no gabinete paralelo, no gabinete do ódio e todos aqueles que tiveram responsabilidade no desvio de dinheiro público e da roubalheira. Essas pessoas serão responsabilizadas. Nós utilizaremos os tipos penais do crime comum, de responsabilidade, contra a vida, contra a humanidade e estamos avaliando, com relação a indígenas, a utilização do crime de genocídio”, revelou.

Renan Calheiros confirmou ainda que esta será a última semana de depoimentos e que o seu relatório estará pronto no dia 15 de outubro. A programação é de que o documento seja lido no dia 19 e votado no dia 20. “Ainda estamos discutindo aspectos do relatório. Vou conversar individualmente com cada membro da CPI. E, o dia 15, continuaremos os debates, ouvindo juristas, caracterizando situações e escolhendo os tipos penais que nós vamos utilizar”, disse. “Quando terminarmos a leitura do relatório, alguém deverá pedir vistas, isso é regimental, e o presidente Omar Aziz (PSD-AM) deverá marcar para o dia seguinte a votação, dia 20”.