‘Resultado no STF surpreendeu o submundo da República’, diz Major Olimpio 

Pré-candidato à sucessão de Alcolumbre, líder do PSL no Senado também criticou o voto do ministro Nunes Marques: ‘Passou a ideia de que é alguém que toma itubaína com o presidente Bolsonaro’

  • Por André Siqueira
  • 07/12/2020 11h17
Roque de Sá/Agência SenadoLíder do PSL no Senado se disse surpreso com o resultado que barrou a reeleição no Congresso

Pré-candidato à presidência do Senado, o senador Major Olimpio (PSL-SP) se disse surpreso com o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que barrou a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na avaliação do líder do PSL na Casa, o resultado sacramentado na noite deste domingo, 6, surpreendeu a todos, incluindo o “submundo da República”, e representa derrotas particulares para Alcolumbre e para o presidente Jair Bolsonaro, dois dos mais interessados com o desfecho do caso.

“Foi uma surpresa positiva. O Pleno deu uma demonstração de que é possível ter arremedo de justiça no Brasil. Há uma máxima que diz que quando a política entra no tribunal, a justiça pula pela janela. A justiça quase pulou, mas felizmente isso não aconteceu. Os votos dos cinco ministros, favoráveis à reeleição, foram vergonhosos, porque não é sequer questão de interpretação, já que a vedação é explícita na Constituição. Mas eu prefiro agradecer aos seis ministros que votaram com o Brasil e com a Constituição a ficar reclamando dos outros cinco. É um resultado surpreendente, sim. Surpreendeu o Senado, o submundo da República e alguns do próprio STF, que vinham dando garantias de que a reeleição passaria, quando, felizmente, isso não aconteceu”, disse Major Olimpio à Jovem Pan.

Olimpio também destacou o voto do ministro Kássio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro à vaga do ministro Celso de Mello. Nunes Marques acompanhou o parecer do relator, ministro Gilmar Mendes, mas fez uma ressalva: a recondução só deveria valer para parlamentares que estão em primeiro mandato. Na prática, o entendimento de Marques beneficiava Alcolumbre, em detrimento de Maia. Para o senador, o voto do indicado pelo Palácio do Planalto “escancara sua vinculação com os desejos do presidente”. “Eu, particularmente, vi com muita tristeza o voto, porque escancara sua vinculação com os desejos do presidente. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou a chamá-lo de ‘nosso Kássio’. E o ministro, de fato, passou ao povo brasileiro a ideia de que é o ‘nosso Kássio mesmo’, de que é alguém que toma itubaína com o presidente”, afirma. “O voto do ministro Kassio é o voto dos sonhos de Bolsonaro, porque o presidente tinha todo interesse do mundo na eleição do Davi e sonhava em se tirar o Maia de seu pé. O presidente trabalha ostensivamente nos bastidores para que isso acontecesse”, acrescenta.

O senador também avalia que, com o resultado, o jogo pela sucessão de Davi Alcolumbre, maior derrotado no episódio, segundo sua avalia, fica aberto. “Pessoas ligadas ao Davi, cerca de 70% do Senado, se surpreenderam. O jogo fica mais aberto, mais democrático. Sem o Davi, temos, por enquanto, eu e Kajuru (Cidadania-GO). Agora, os outros grandes partidos devem se colocar em campo, e aí vamos para uma disputa aberta”, diz.