Primeiro-ministro de Taiwan renuncia após derrota em eleições locais

  • Por Agencia EFE
  • 29/11/2014 12h50

Taipé, 29 nov (EFE).- O primeiro-ministro taiuanês, Jiang Yi-huah, anunciou neste sábado sua renúncia como forma de se responsabilizar pela fragorosa derrota de seu partido, o Kuomintang (KMT), na eleição local de hoje.

Jiang disse em entrevista coletiva que tinha colocado à disposição do presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, seu cargo e este anunciaria em breve a nomeação de outro primeiro-ministro, que será encarregado de formar o novo governo, de acordo com a Constituição taiuanesa.

O Partido Kuomintang perdeu hoje a chefia de nove cidades e distritos de Taiwan, deixando para o opositor Partido Democrata Progressista (PDP) os principais núcleos urbanos da ilha, incluída a capital, com a exceção somente de Nova Taipé.

O KMT, partido no governo que defende a aproximação com a China, sofreu uma derrota eleitoral maiúscula que mostrou a rejeição a sua gestão e suas políticas, em eleições municipais consideradas o prelúdio das presidenciais de 2016.

Segundo os dados oficiais do Conselho Central Eleitoral, 13 das 22 prefeituras que eram decididas hoje foram parar nas mãos do PDP e outra para um candidato independente apoiado pela oposição, enquanto o KMT ficou com seis e as duas restantes com independentes mais neutros.

O presidente Ma disse que escutou “a vontade do povo e que empreenderá reformas sem escapar de nenhuma responsabilidade”.

“Foi uma fragorosa derrota do KMT, com a perda de nove cidades e distritos, o que deve fazer o partido governante refletir para não perder sintonia com o eleitorado”, assinalou o ex- parlamentar governista Chiou Yi.

A vitória do independentista PDP superou suas próprias expectativas e foi interpretada na ilha como um voto de punição ao KMT e de inquietação diante da possibilidade de que a atual aproximação econômica e social com a China a transforme em uma nova Hong Kong.

“É sem dúvida um voto de punição à política e a gestão do presidente Ma Ying-jeou, não necessariamente uma rejeição aos laços econômicos e sociais com a China, mas a uma excessiva influência de Pequim que torne Taiwan uma nova Hong Kong”, disse à agência Efe o professor Bai Fangji, da Faculdade de Estudos Internacionais da Universidade Tamkang.

Mais 18,5 milhões de taiuaneses foram chamados às urnas nas maiores eleições locais de Taiwan, que decidiram mais de 11.150 cargos de todos os níveis, incluídas as prefeituras de 22 cidades e distritos. EFE