Reféns turcos nas mãos jihadistas afastam Turquia de coalizão contra EI

  • Por Agencia EFE
  • 06/09/2014 06h25

Ancara, 6 set (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, marcou sua distância sobre a participação de seu país em uma coalizão internacional contra o extremista Estado Islâmico (EI) pelo temor de represálias contra os 49 reféns turcos nas mãos dos jihadistas, informou neste sábado o jornal “Hürriyet”.

Erdogan se reuniu ontem com o presidente americano, Barack Obama, paralelamente à reunião da Otan no País de Gales, e embora tenham concordado em se coordenar contra essa ameaça terrorista, o líder turco não se mostrou disposto participar da coalizão que está sendo montada pelos Estados Unidos.

“Nossos cidadãos reféns de EI podem sofrer por causa das atividades da coalizão”, disse Erdogan a Obama, segundo o jornal turco. “Não queremos que nossos cidadãos sejam assassinados como seus jornalistas. Esperamos sua compressão sobre este assunto”, acrescentou.

O jornal indicou que o presidente turco também se mostrou contrário a fornecer armamento ao governo de Bagdá porque poderia alimentar os enfrentamentos sectários entre sunitas e xiitas no Iraque.

Ele ainda considerou que essas armas poderiam afetar o atual processo de paz na Turquia com a guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que também luta na Síria e no Iraque contra o EI.

Em 11 de junho os jihadistas tomaram como reféns 49 funcionários do consulado da Turquia em Mossul, no Iraque, entre eles o próprio cônsul, diplomatas, agentes de elite da polícia que vigiavam o local e seus familiares.

As autoridades turcas mantêm em segredo o estado das conversas para conseguir a libertação dos reféns, mas tudo indica que procuram uma saída dialogada e não mediante uma ação militar.

Os Estados Unidos buscaram na cúpula aliada no País de Gales montar uma coalizão forte para combater esse grupo terrorista, e paralelamente à reunião, o secretário de Estado John Kerry se reuniu com os ministros das Relações Exteriores de Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Austrália, Turquia, Itália, Polônia e Dinamarca. EFE