Relatório liga deputado do PPS a lobista da máfia da merenda

  • Por Agência Estado
  • 12/02/2016 08h44
Reprodução/ Facebook Fernando Cury - PSB

Relatório da Operação Alba Branca, que apura um esquema de fraude na compra de alimentos de merenda escolar por prefeituras e pelo governo do Estado de São Paulo, liga o deputado estadual Fernando Cury, do PPS, à organização que fraudava licitações. Cury é citado em documento da Polícia Civil como aliado do lobista Marcel Ferreira Júlio, que está foragido.

O relatório resume interceptação telefônica que flagrou Marcel falando com um interlocutor que a polícia chama de “Felix” ou “Péricles”.

O lobista caiu no grampo dia 16 de dezembro de 2015, às 16h. Para os investigadores da Alba Branca, o diálogo indica que Marcel frequentava a sala do parlamentar no Palácio Nove de Julho, sede do Legislativo paulista, na região do Ibirapuera.

“Marcel conversa com interlocutor e pede para que ele o procure na Assembleia Legislativa, no gabinete do deputado Fernando Cury”, diz trecho do relatório da Alba Branca.

Em seguida, o documento cita César Augusto Lopes Bertholino, então diretor financeiro da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), entidade apontada como carro-chefe da quadrilha que vendia produtos agrícolas superfaturados para a composição da merenda – pelo menos 22 prefeituras estão sob investigação da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual.

O relatório policial afirma que Marcel e César estiveram na Secretaria da Agricultura do Estado, acompanhados do deputado do PPS. “Quando César e Marcel foram na Secretaria da Agricultura, o deputado Fernando Cury estava junto.”

Conforme as investigações, a organização também mirava em contratos da Secretaria da Educação do governo de Geraldo Alckmin (PSDB). O ex-chefe de gabinete da pasta Fernando Padula, quadro do PSDB, está sob investigação.

A Polícia Civil ressalta que Cury tem bastante proximidade com o lobista a ponto de fazer uso de seu telefone para fazer contato “com um vereador”. Marcel teve prisão temporária decretada em janeiro, pela Justiça da Comarca de Bebedouro – região de Ribeirão Preto – onde fica a sede da Coaf.

Prisão preventiva

Na sexta-feira passada a Procuradoria-Geral de Justiça requereu ao Tribunal de Justiça do Estado ordem de prisão preventiva contra Marcel, que permanece foragido. Conforme a Alba Branca, Marcel circulava com desenvoltura na Assembleia Legislativa, cujo presidente, deputado Fernando Capez (PSDB), é citado como suposto beneficiário do esquema de propinas da merenda escolar. O tucano nega taxativamente envolvimento com a organização.

A investigação já apontou elos do lobista com aliados de Capez, entre eles Jéter Rodrigues Pereira, que trabalhava para o parlamentar, em seu escritório político e na Assembleia. Outro ex-assessor do tucano, José Merivaldo dos Santos, foi flagrado em interceptação telefônica da operação no grampo cobrando “58” do lobista. Alba Branca investiga ainda Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, assessor e cabo eleitoral de Capez.

A Procuradoria pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal de Jéter, Merivaldo e Licá. Foi requerido ainda acesso aos computadores da Assembleia usados por aliados de Capez – alvo também de pedido de quebra dos seus sigilos bancário e fiscal.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Outro lado

Em respoosta em seu Facebook, Cury compartilhou um documento da Polícia Civil que explicita que ele não está sendo investigado no inquérito policial da operação.

O deputado disse ainda que, por ter como uma de seuas proincipais bandeiras a agricultura, recebe com frequência “lideranças e representantes de entidades ligados ao setor”. Ele garante que não esteve em reunião na Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimentocom a presença dos investigados

Veja a nota completa:

ESCLARECIMENTO AOS AMIGOS E ELEITORES

Nos últimos dias, fui surpreendido com questionamentos sobre as relações que poderia manter com pessoas citadas pela Operação Alba Branca, que investiga um suposto esquema de fraudes na compra de produtos agrícolas destinados à merenda escolar.

Interessado no esclarecimento das circunstâncias em que meu nome foi citado no curso das apurações, hoje fui, pessoalmente, até o município de Bebedouro, sendo recebido pelo delegado Mário José Gonçalves, que preside o Inquérito Policial 105/15 do qual culminou tal Operação. Compartilho aqui a certidão expedida por ele, atestando que não estou entre os investigados.

Por ter a Agricultura como uma de minhas principais bandeiras, constantemente lideranças e representantes de entidades ligados ao setor procuram o nosso gabinete. No entanto, diferentemente do que foi dito por um determinado veículo de comunicação, não estive em qualquer reunião na Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, com a presença dos investigados. Para comprovar minha afirmação, solicitei oficialmente o registro de presenças do dia 15 de dezembro de 2015 na Secretaria, data em que a referida reunião teria ocorrido.

Me coloquei à disposição para eventuais esclarecimentos, no entanto, o delegado entende não ser necessário qualquer depoimento, visto que meu nome não consta na lista de parlamentares sob investigação, documento este já encaminhado aos órgãos competentes.

Empenhado no prosseguimento das apurações, faço questão de assinar a proposta de abertura de uma CPI para apurar essa suposta fraude.

A você, que acompanha o meu trabalho por aqui, afirmo que nada vai me impedir de continuar trabalhando e de olhar no olho dos meus amigos e eleitores, seja para identificar as demandas do nosso Estado ou para prestar contas de nossas ações. ‪#‎TamoJuntoPelaVerdade‬ ‪#‎FernandoCury‬