Secretário vê como “exagero” preocupação do Comitê Olímpico dos EUA sobre o zika no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 08/02/2016 18h06
O governador Geraldo Alckmin durante anúncio da publicação do edital das Parcerias Público-Privadas (PPP) para a construção de três hospitais, um em São José dos Campos, um em Sorocaba e um na capital, o Pérola Byington Nova Luz. DATA: 09/10/2013 LOCAL: São Paulo/SP FOTO: EDSON LOPES JR/A2 FOTOGRAFIA(Arquivo Agência Assembleia) David Uip

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip, disse nesta segunda-feira (8), em entrevista à rádio Jovem Pan, que vê como um exagero o fato do Comitê Olímpico dos Estados Unidos ter liberado seus atletas dos Jogos Olímpicos do Rio por conta do zika vírus.

“Eu acho um exagero e temos alguns números que refletem bem o que eu penso. Hoje a dengue é endêmica em 113 países do mundo, o zika vírus em pelo menos 25 e o chikungunya ainda não se tem um número muito preciso. Agora, se você fizer a conta e a somatória, não tem mais o que fazer no mundo inteiro. Então, nós temos que ter cuidado, temos que ser zelosos, temos que tomar providências, mas sem atitudes alarmistas, exageradas, sem muito nexo”, explicou.

Para o secretário, é extremamente importante que todos entendam que estamos diante de uma doença importante. “Nós temos uma doença que deve ter entrado no Brasil entre 2014 e 2015. E ela tem como relevância a síndrome da má formação do zika vírus. As pessoas falam em microcefalia, mas eu acho que isso é um pedaço de um problema que talvez seja maior. (…) Existem números de microcefalia que englobam não só o zika vírus. Têm as doenças infecciosas que também levam a má formação. Temos as doenças inflamatórias, as genéticas e as de intoxicações por metais. São muitas coisas que podem levar à microcefalia. Nesse momento, que nós temos uma grande epidemia de sífilis congênita, talvez, uma das causas, além do zika vírus, para o aumento de casos [de microcefalia] seja a sífilis”.

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, 140 gestantes serão avaliadas por apresentarem sintomas do zika vírus. Questionado sobre essa situação, David Uip destacou que há dois fatores que preocupam e muito as autoridades: “o primeiro refere-se a esse aumento e a circulação do zika vírus na cidade. E o segundo trata-se da entrada da dengue tipo 2 em Ribeirão Preto. Agora tudo isso tem que ser tratado com muito cuidado porque tem muitos dados a serem esclarecidos”.

Apesar dos números expressivos referentes ao vírus no País, o secretário assegurou que muito em breve a situação deve melhorar. “as coisas devem melhorar porque nós teremos exames que farão o diagnóstico por infecção do zika vírus. O que eu estou querendo dizer é que quando uma mãe gera um filho com uma má formação, ela se contaminou com esse vírus meses antes, por exemplo, no primeiro semestre da gravidez. Os exames que nós temos hoje não retrata a infecção pregressa. Com a pesquisa do IgG, que teremos disponível daqui duas semanas, nós vamos saber o que tem a ver a microcefalia com o zika vírus e o que tem a ver a microcefalia com outros agentes infecciosos e não infecciosos”.

David Uip também aproveitou a oportunidade para minimizar o anúncio da Fiocruz de que o zika vírus foi encontrado de forma ativa na urina e na saliva de pacientes com sintomas da doença.  “Não vi nenhuma novidade. Se você tem o zika vírus no sangue ativo, é de se esperar que você tenha nas secreções. A pergunta é outra e essa, sim, tem relevância: esse zika vírus na saliva é transmissível pelo contato de secreções, ou seja, transmissível pelo beijo? Essa é a resposta que nós esperamos. Temos que ter cuidado porque sabemos que esse vírus está presente em secreções, mas não podemos alegar que essa é uma forma de contaminação. Nós sempre soubemos que o vírus da Aids é viável pela saliva e ninguém nunca pegou Aids por um beijo”, explicou. Ouça o áudio e confira a entrevista na íntregra.