Solidariedade oficializa apoio à França para a Prefeitura de SP e avalia expulsão de Marta

Filiada desde abril, ex-prefeita contrariou o partido ao ficar ao lado de Bruno Covas (PSDB) na campanha pela reeleição

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2020 14h00 - Atualizado em 13/09/2020 14h24
Waldemir Barreto/Agência SenadoEx-prefeita se filiou ao Solidariedade na expectativa de ser vice em uma chapa do PT encabeçada por Fernando Haddad

O partido Solidariedade oficializou na manhã deste domingo, 13, o apoio ao PSB na candidatura do ex-governador Márcio França à Prefeitura de São Paulo. O ato, realizado na sede municipal do partido, teve a participação do presidente do diretório paulistano do Solidariedade, Pedro Nepomuceno, do deputado  Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, e Antônio Neto, presidente municipal do PDT e vice na chapa de França. Ciro Gomes, principal nome do partido trabalhista, e o ex-ministro Aldo Rebelo participaram por videoconferência. No encontro, líderes do Solidariedade também afirmaram a possibilidade de expulsão da ex-prefeita Marta Suplicy, que é afiliada desde abril, mas que ontem declarou apoio à reeleição de Bruno Covas (PSDB).

“Lá no PSDB, eles já decidiram como vai ficar (a divisão de poder). A Prefeitura vai ficar com o MDB, o governo do Estado via ficar com o DEM e a presidência vai ficar com o Doria”, afirmou Márcio. “E quem concorda com isso deve votar 45”, acrescentou, citando o número de urna do PSDB, partido do atual prefeito Bruno Covas, seu oponente que buscará a reeleição. A fala de França é uma crítica à possibilidade do governador João Doria (PSDB), seu inimigo político, renunciar ao cargo antes do final do mandato para disputar a Presidência da República em 2022 e deixar o comando do Poder Executivo estadual nas mãos do vice, Rodrigo Garcia (DEM). A fala também faz referência a possibilidade de Bruno Covas, uma vez reeleito, renunciar ao cargo de prefeito para integrar a eventual chapa de reeleição de Garcia no Estado, em 2022, deixando a Prefeitura com o vice de sua composição atual, Ricardo Nunes (MDB).

Os líderes também trataram sobre a possível expulsão de Marta da legenda. “Logo após o pronunciamento dela na convenção tucana (realizada neste sábado, dia 11), o Conselho de Ética (do Solidariedade) recebeu de alguns filiados um pedido de expulsão dela. Acho que ainda está no calor (do momento), mas vamos reunir a direção nacional ao longo da semana para discutir uma possível expulsão dela”, disse Nepomuceno. Quando Marta se filiou ao Solidariedade, havia a expectativa de que ela pudesse tornar-se vice em uma eventual chapa petista encabeçada pelo ex-prefeito Fernando Haddad, criando uma frente de esquerda. O petista, no entanto, se recusou a disputar e o pré-candidato Jilmar Tatto, de quem Marta não queria ser vice, venceu as prévias do PT e foi confirmado candidato nas convenções petistas neste sábado.

Marta então iniciou uma negociação com o PSDB para ser vice de Covas. A agremiação, no entanto, descartou a possibilidade da ex-prefeita ingressar na chapa do tucano e, com isso, o Solidariedade ficou tentando convencê-la a se lançar candidata até a semana passada. Ela e o seu atual partido romperam na quarta-feira depois que ex-prefeita não compareceu a almoço com Paulinho da Força e Nepomuceno. Neste sábado, durante sua participação na convenção do PSDB que oficializou a candidatura à reeleição de Covas, Marta, que já foi opositora dos tucanos, afirmou que o País está vivendo “um retrocesso civilizatório” e pregou a necessidade de união “frente ao mal maior”.

*Com Estadão Conteúdo