Setor de energia renovável apresenta propostas a presidenciáveis para consolidar o Brasil como liderança global
Sugestões constam em uma carta assinada por 24 entidades do setor, lançada nesta quarta-feira (27) em evento que reuniu representantes empresariais e autoridades públicas
Organizações e empresas nacionais e internacionais do setor de energia renovável apresentaram aos pré – candidatos à presidência da República propostas para fortalecer a transição energética no Brasil, que podem levar o país a se consolidar como liderança global no mercado.
As sugestões constam em uma carta assinada por 24 entidades do setor, lançada nesta quarta-feira (27) em evento que reuniu representantes empresariais e autoridades públicas, em Brasília confira aqui a íntegra.
Entre as propostas está:
- Instituir um Mapa do Caminho da transição para longe dos combustíveis fósseis em direção às energias renováveis e eletrificação
- Destravar transmissão e armazenamento para aproveitar a energia renovável já disponível e alinhar política energética e industrial para criar demanda para renováveis e empregos verdes.
“O Brasil está diante de uma janela histórica para consolidar sua liderança na transição energética global, e corre o risco concreto de perdê-la caso o próximo governo não assuma compromissos de implementação robustos e coordenados”, diz um trecho da carta.
A transição energética permite menor emissão de gás carbônico, porque reduz ou extingue o uso de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, na geração de energia elétrica. No lugar, são utilizadas as fontes limpas e renováveis, como biomassa, eólicas e solar.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que 58% da matriz energética global são compostos só por petróleo e carvão. Na contramão, o Brasil sai na frente como um dos países que possui uma das matrizes de energia limpa do mundo. Metade da energia usada no Brasil, segundo o Balanço Energético Nacional, vem de fontes renováveis, 36% acima da média mundial.
Embora isso, o setor alerta para o baixo investimento em renováveis no Brasil, e reivindica a adoção de uma política de incentivos. De acordo com o Instituto de Estudos Socioeconômicos, em 2024 para cada R$ 1 destinado às renováveis, aproximadamente R$ 2,52 foram direcionados às fontes fósseis.
Na carta aos presidenciáveis, as entidades do setor também fazem destaque a guerras motivadas pela disputa de petróleo, ressaltando mais um motivo sobre a importância na transição energética. “Tensões geopolíticas crescentes, guerras regionais, disputas comerciais e volatilidade extrema dos mercados de petróleo e gás tornaram evidente o que o setor já sinalizava: os combustíveis fósseis são, por natureza, intermitentes quanto ao fornecimento e ao preço. As energias renováveis, ao contrário, são o escudo estratégico que protege economias nacionais de choques externos e reduz a exposição a mercados que o Brasil não controla”, diz o documento.
Luis Viga, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) diz que o Brasil é um celeiro de soluções energéticas híbridas, situado fora de áreas de conflito. “O Brasil conversa tanto com a China quanto com os Estados Unidos. E temos a grande possibilidade de ofertar energia barata, em escala, das mais diversas maneiras”, afirma.
Natália Oliveira, Head de Policy and Advocacy para América Latina na Global Renewables Alliance considera o lançamento das propostas um marco importante. “A carta reúne prioridades concretas e leva aos futuros candidatos à Presidência uma mensagem clara sobre a importância de incorporar a transição energética ao projeto de desenvolvimento do país, com diálogo, previsibilidade e compromisso de longo prazo”, afirma.
A carta será entregue aos candidatos à Presidência da República após a confirmação oficial das candidaturas pelos partidos políticos.
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