Pássaros, répteis ou mamíferos: quais são os animais silvestres mais traficados no Brasil?

País reúne uma combinação rara de fatores biológicos, territoriais, econômicos e sociais que alimentam uma atividade criminosa responsável pela destruição da fauna

  • Por Victor Trovão
  • 31/01/2026 07h10
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Divulgação/Ibama Macacos-prego retirados de criadouro embargado em Xanxerê (SC) - Foto: Divulgação/Ibama Macacos-prego estão entre as principais vítimas do tráfico de animais silvestres no Brasil

Por reunir uma combinação rara de fatores biológicos, territoriais, econômicos e sociais, o tráfico de animais silvestres é um dos maiores desafios para a preservação da fauna no Brasil. O país tem uma ampla oferta de espécies cobiçadas por traficantes em diversas regiões.

De acordo com o Ibama, a demanda internacional também influencia diretamente o aumento e a manutenção do tráfico de animais silvestres no país, assim como a busca por espécies raras.

“Ter em casa espécies exóticas e raras é um símbolo de status, ao custo da liberdade do animal. É um ciclo vicioso: o tráfico reduz o número da população de uma espécie, tornando-a mais rara na natureza; a espécie rara, por sua vez, torna-se ainda mais desejável pelos traficantes de animais”, afirmou o instituto à reportagem.

As principais espécies vítimas do tráfico de animais silvestres no Brasil estão distribuídas por diversas regiões do país e incluem, sobretudo, aves, mamíferos e répteis. 

Entre as mais afetadas estão aves canoras e ornamentais, muito visadas pela beleza e pelo canto. Mamíferos também são frequentemente capturados para venda ilegal como animais de estimação. Já entre os répteis, algumas espécies figuram entre as mais apreendidas, muitas vezes em razão de crendices populares que ainda persistem.

Saiba quais são algumas das espécies mais afetadas

Pássaros

  • Coleirinha
  • Picharro
  • Canário-da-terra-verdadeiro
  • Galo-da-campina
  • Pássaro-preto
  • Azulão
  • Tico-tico
  • Papagaio-verdadeiro
  • Sabiá-laranjeira
  • Canário-da-terra
  • Papa-capim
  • Araras
  • Pixoxó
Filhotes de arara-canindé e arara-vermelha resgatados

Filhotes de arara-canindé e arara-vermelha resgatados – Foto: Victor Trovão

Répteis

  • Jabuti-piranga
  • Tigre-d’água

Mamíferos

  • Gambá-de-orelha-preta
  • Macaco-prego
  • Sagui
Filhote de Sagui

Saguis estão entre as principais vítimas do tráfico de animais silvestres  – Foto: Ascom IMA/AL

Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o Brasil é o país mais biodiverso do mundo e abriga inúmeras espécies endêmicas, encontradas apenas em território nacional, o que contribui diretamente para a dimensão do problema.

“De forma geral, a região Norte é a mais afetada. Muitas espécies da região amazônica são capturadas e traficadas para atenderem a compradores principalmente da região Sudeste”, explicou o Instituo. 

Em relação ao tráfico internacional, o órgão informa que “os destinos são bem variados, mas a região que se destaca mais é da Ásia, principalmente em relação a ovos de aves e animais ou partes de animais utilizados como iguarias em alguns países na região”. No que diz respeito às animais vivos, eles costumam ser traficados para outros países da América do Sul antes de irem para seu destino ou outro destino intermediário. A Europa é um dos principais destinos desse tipo de tráfico”, destacou.

Para a bióloga e chefe de departamento do Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (Cetras-SP), Lilian Sayuri Fitorra, “a grande biodiversidade, a questão ‘cultural’ da população e a falta de informação faz com que muitas pessoas acreditem que é simplesmente aceitável manter um animal silvestre”.

Reintegração à natureza

Nem todos os animais silvestres vítimas do tráfico conseguem uma segunda chance. Enquanto alguns são resgatados, tratados e, após um longo processo de reabilitação, reintroduzidos à natureza, outros não resistem às condições de captura, transporte e cativeiro ilegal.  

Existem instituições especializadas responsáveis por acolher esses animais após o resgate. Um exemplo é o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras São Paulo) que atua no recebimento de animais silvestres apreendidos por autoridades como a Polícia Militar Ambiental e o Ibama, além de exemplares entregues voluntariamente por munícipes. 

“Dos animais que sobrevivem e são reabilitados, cerca de 70% deles conseguimos devolver para natureza. Os outros 30% são indivíduos que apresentam alguma sequela que não foi possível reverter e, por isso, são encaminhados para empreendimentos de fauna autorizados pela Secretaria do Meio Ambiente”, informa Lilian Sayuri Fitorra, bióloga do Cetras-SP.

Como denunciar um animal em perigo? 

Há diversos canais disponíveis para denunciar o comércio e o tráfico ilegal de animais silvestres, bem como para solicitar o resgate de animais em situação de risco. Também é possível acionar as autoridades para levar um animal silvestre resgatado, desde que não represente perigo para quem o recolhe, ou realizar a entrega voluntária e espontânea de um animal mantido de forma irregular. 

A seguir, estão listados os principais canais para esse tipo de denúncia e atendimento.

Serviço

Polícia Militar Ambiental, consulte: https://www.policiamilitar.sp.gov.br

Contate a unidade do Policiamento Ambiental mais próxima: https://www.policiamilitar.sp.gov.br/unidades/ambiental/localize.html

Em casos de emergência ligue: 190

IBAMA, atendimento telefônico: 0800 061 8080

Na cidade de São Paulo, Prefeitura: 156

Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres São Paulo (Cetras-SP): 2823-2272

 

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