UA pede suspensão de restrição de viagens para países afetados pelo ebola
Adis Abeba, 8 set (EFE).- O Conselho Executivo da União Africana (UA), reunido nesta segunda-feira em caráter de urgência em Adis Abeba, capital da Etiópia, pediu pela suspensão da proibição de viagens aos países afetados pela epidemia de ebola e, no lugar disso, melhorar o controle do vírus.
A cúpula da organização também pediu ajuda financeira e técnica internacional e do continente para os países atingidos pela doença, que já causou a morte de 2.097 pessoas, segundo os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com o comissário da UA para Assuntos Sociais, Mustapha S. Kaloko, em entrevista coletiva ao fim da cúpula, a organização desdobrará equipes de todo o continente para Guiné, Libéria, Serra Leoa, Nigéria e Senegal com a esperança de “romper o círculo do contágio em seis meses”.
A presidente da Comissão da UA, Nkosazana Dlamini-Zuma, expressou seu medo quanto às dificuldades que atravessam esses países da África Ocidental – especialmente Guiné, Libéria e Serra Leoa – e afetem às economias africanas. Desde o começo, alguns líderes africanos manifestaram medo de que a doença possa reverter ou estagnar os lucros econômicos e as melhorias de segurança de alguns países, e especialmente daqueles que acabam de sair de conflitos, como é o caso da Libéria e Serra Leoa.
“Devemos garantir que o ebola não se propague para outros países, mediante a aplicação de procedimentos eficazes para detectar, isolar e tratar às pessoas que possam estar infectadas e proteger o resto da população”, declarou Nkosazana.
Nessa linha, o secretário-executivo da Comissão Econômica da ONU para a África (ECA), Carlos Lopes, disse que os países afetados estão sobrecarregados e necessitam do apoio de todo o continente, fundamentalmente em matéria de financiamento e meios para o controle do surto. Segundo ele, a epidemia de ebola terá impacto econômico significativo, que se traduzirá na redução de vários pontos no PIB de Guiné, Libéria e Serra Leoa.
O crescimento econômico da região poderia ser refreado pela redução da atividade mineira, a alteração dos ciclos agrícolas, a restrição do comércio e dos investimentos e o desvio de fundos públicos para combater a epidemia. Os líderes africanos também pediram “precauções” na hora de utilizar no continente um novo remédio curou o ebola em dois doentes americanos, mas que não foi submetido a testes regulamentares, segundo o comissário da UA.
Especialistas da OMS presentes na cúpula explicaram a forma como o vírus se expande e as medidas que os países deveriam tomar para interromper a epidemia, incluindo novos remédios não testados anteriormente.
“Houve debates com a OMS sobre como usar estes soros que não seguiram os procedimentos e teste normais. A OMS nos informou que devemos tomar precauções na hora de utilizá-los, já que ainda não são comercializados”, informou Nkosazana.
A epidemia de 2014 é a “mais complexa” de ebola que se conhece até o momento. Ao todo, já são quatro mil casos registrados, segundo a OMS. EFE
Comentários
Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.