Impor a linguagem neutra a crianças é um crime

Colégio do Rio adota a supressão de pronomes masculinos e femininos no ensino; decisão destrói o princípio de separação entre meninos e meninas e impõe o caos e a confusão sexual na cabeça de crianças

  • Por Adrilles Jorge
  • 14/11/2020 10h00 - Atualizado em 14/11/2020 17h51
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A adoção – de maneira oficial, por uma escola do Rio de Janeiro – de uma linguagem neutra a ser ensinada a crianças é o princípio de uma tragédia histérica: a ideologia de gênero sendo propagada em escolas. A linguagem neutra, além de ser um português ensinado errado, suprime as diferenças entre homens e mulheres, impõe uma assepsia de gênero que destrói o princípio de separação entre meninos e meninas. É impor o caos e a confusão sexual na cabeça de crianças. A base do que se considera machismo linguístico já tem uma premissa equivocada. No latim, os pronomes neutros terminam em “u” e foram adaptados para “o” no português. Ou seja, se eu digo “todos” em português, posso estar me referindo a ambos os sexos. O diferencial é o pronome feminino, “todas”. Ou seja: não existe rigorosamente nada de machismo linguístico nos pronomes em português. Mas esta é uma ignorância calculada dentro do escopo de uma guerra cultural. O progressismo histérico da ideologia de gênero quer anular diferenças biológicas entre homens e mulheres, sob o pretexto feminista de que há um patriarcado opressor em cada canto do mundo e das pessoas. E da própria linguagem. A ideologia de gênero propõe que seria absolutamente natural para ambos os sexos se verem em outros gêneros sexuais – alguns inclusive fora dos termos binários “homem” e “mulher”. Para isto, tentam infundir a ideia que o gênero é uma construção sócio cultural, não simplesmente biológica, como percebemos pela lógica mais elementar e clara, através dos nossos olhos mesmos.

Anular as diferenças de pronomes de tratamento em nome de uma eventual disforia de gênero de uma pequena minoria de pessoas que se sintam desconfortáveis dentro do seu próprio sexo para criar uma linguagem e um comportamento não binários e ensinar isto a crianças é um crime monstruoso. Crime monstruoso que provoca confusão, caos na psique da criança. Um crime que começa pela linguagem e se projeta como ação da desconstrução dos gêneros sexuais. Tudo em nome de uma liberdade sexual – que se transforma em caos sexual e de personalidade – ensinados a crianças. Ora, ensinar a uma criança desde o berço que, pela linguagem e pela percurso de uma vida, não há uma gênese biológica que separa os sexos e que o gênero sexual é uma construção sócio-cultural, é tentar perverter e confundir algo de natural apreensão pela simples percepção do próprio corpo. Os casos de disforia sexual, em que pessoas não se identificam com o próprio sexo, acometem menos de 1% da população. Devem ser tratados com atenção e cuidado, claro. E como exceção. Mas, se alguém ensina, desde o berço, que diferenças biológicas não existem, e que o gênero sexual é uma construção da sociedade, infunde-se o caos na cabeça de uma criança. E em nome de uma ultrassensibilidade histérica que permite a todos se sentirem ofendidos por tudo e qualquer coisa, infunde-se a ideia de que chamar ”arbitrariamente ” alguém por um pronome masculino ou feminino, seria um desrespeito à livre construção do gênero sexual de um indivíduo em formação.

Sim, é insano e histérico assim. Infunde-se o caos e a confusão ressentida e ofendida na cabeça de uma criança. Antes de lhe ensinar os valores morais e conteúdos linguísticos e éticos dentro de uma escola. Reitero: é um crime. Uma amiga certa feita me disse que seu filho tinha dúvidas em relação a seu gênero sexual. Ela me disse que o garoto estudava numa escola moderna, sócio construtivista, escola que chegou a dizer exatamente que o gênero era uma construção sócio-cultural. A pergunta é exatamente: esta dúvida do garoto nasceu espontaneamente dele ou foi colocada em sua cabeça por um professor? A ideologia de gênero transforma o sexo biológico em uma construção artificial e quer ensinar isto a crianças. Através da linguagem – e, consequentemente, através da ação. Um princípio linguístico – a supressão de pronomes masculinos e femininos – é o começo da ação da destruição de uma percepção natural, biológica dos sexos. Começa-se a mudar a percepção da realidade através da linguagem. Se uma palavra é proibida, impede-se o pensamento e a conceituação que aquela palavra enseja. Se um pronome de tratamento masculino ou feminino são proibidos, as diferenças biológicas naturais entre homens e mulheres começam a ser suprimidas pelo ensino forçado da ideologia de gênero. A ideologia de gênero suprime as diferenças. E a diferença é o que torna rica a experiência humana – a primeira delas, entre homens e mulheres, biologicamente separados, mas culturalmente, socialmente, humanamente reunidos. Pelas diferenças, nunca pela subtração imposta e autoritária das diferenças.