Alckmin como vice de Lula em 2022 seria decepção para parte do eleitorado brasileiro

Se ex-governador de fato vai se aproximar de Lula, deve saber que estará adentrando num mundo onde reina a corrupção e a esperteza, o que não parece ser o universo dele

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 18/11/2021 11h41 - Atualizado em 18/11/2021 21h45
FáTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOGeraldo Alckmin ainda não confirmou qual será sua candidatura para 2022

O ex-governador de São Paulo pelo PSDB Geraldo Alckmin sente-se à vontade quando dizem que ele poderá ser o vice na chapa de Luiz Inácio da Silva nas eleições de 2022 à Presidência da República. Dá uma risadinha, fala algumas palavras que não dizem nada e só. E Lula, por seu lado, alimenta essa ideia que surgiu de repente e vem crescendo nas discussões políticas do Brasil. Muitos acham impossível. Pelo menos aqueles que não esqueceram a história recente do país, aliás, recentíssima. Adversário histórico do PT, Geraldo Alckmin está de saída do PSDB, onde foi vergonhosamente traído. Tentará outro partido para ser candidato ao governo de São Paulo. Mas essa ideia de ser o vice de Lula deu uma pausa nas articulações que vinham sendo feitas, especialmente com o PSD de Gilberto Kassab. Nesta semana, em Bruxelas, falando no Parlamento Europeu, Luiz Inácio da Silva fez belos elogios a Alckmin, dizendo que era presidente quando Alckmin era governador de São Paulo. Sempre se deram bem, descontando algumas questões circunstanciais, esquecidas já no outro dia.

Observou que tem por Geraldo Alckmin uma “extraordinária relação de respeito”. Afirmou, então, que o vice-presidente tem de ser uma pessoa levada muito a sério, porque o vice pode ser presidente. Muitas coisas podem acontecer. E o vice tem de ser uma pessoa que soma e não diverge com o presidente da República. Lula não descartou o nome de Alckmin, mas também não confirmou nada, dizendo que ele ainda não é candidato à Presidência. Quando decidir ser candidato sairá à procura de um vice para formar sua chapa. O ex-governador, por seu lado, parece deixar a porta aberta ao dizer que se sente honrado de ver seu nome lembrado, observando que Lula tem grande apreço pela democracia e negou que tenha com o ex-presidente diferenças instransponíveis. 

A esquerda vê essas notícias com reserva. O pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, por exemplo, afirma que toda essa conversa é fumaça, não vai dar em nada. E se isso fosse mesmo verdade não seria uma boa alternativa. É só uma especulação política. Uma aliança entre Lula e Alckmin não para em pé. Até porque em 2023, Lula não encontrará o Brasil de 2003, quando se elegeu presidente pela primeira vez. Em 2023, segundo Boulos, o Brasil será uma terra arrasada, com a economia destruída, o desemprego de milhões e com milhões de famílias passando fome. Para enfrentar tudo isso, Lula necessita ter ao seu lado uma pessoa firme e Alckmin não é nada disso. Já o presidente Jair Bolsonaro observa que essa possível relação entre Lula e Alckmin prova que vale tudo pelo poder. Para Bolsonaro, os elogios de Alckmin a Lula revelam um “profundo desconhecimento do mundo” e dizer que Lula respeita a democracia só pode ser uma visão completamente ausente do que acontece. Lula gosta mesmo é do regime da Venezuela e Alckmin devia pensar nisso. O presidente não acredita nessa aproximação.

Seja como for, só essa possibilidade de Geraldo Alckmin vir a ser o vice de Luiz Inácio da Silva em 2022 causa muito mal-estar numa grande parcela do eleitorado brasileiro. O PSDB, que nunca discute as questões como devem ser discutidas, está somente observando. E Alckmin apenas agradece, mas sabe muito bem o que está fazendo. Em outras palavras, se isso de fato acontecer, o nome de Geraldo Alckmin se envolverá numa profunda decepção. Pelo que se sabe, seu nome nunca esteve envolvido nas falcatruas normais deste país. Se de fato vai se aproximar de Lula, deve saber que estará adentrando num mundo onde reina a corrupção e a esperteza. Esse não parece ser o universo do ex-governador.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.