Brasil é um país absurdo: Ciro Nogueira vira ministro, e na vaga do Senado fica a mãe

Presidente Jair Bolsonaro confia que a situação com o Congresso vai melhorar com a nomeação do senador para a Casa Civil e sinaliza que deve ir para o partido dele, o Progressistas

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 30/07/2021 15h20
Marcelo Camargo/Agência BrasilO senador Ciro Nogueira, do Centrão, foi nomeado para a Casa Civil

O presidente Jair Bolsonaro utilizou todo o tempo de sua live semanal nesta quinta-feira, 29, para atacar o voto eletrônico. Prefere o voto impresso para evitar fraudes na eleição, conforme ele diz. E esse assunto chegou à ofensa tanto dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como do Supremo Tribunal Federal (STF). Em outras palavras, Bolsonaro está em guerra com todo mundo. E começa a dizer que poderá não ser candidato à reeleição em 2022. A nova conversa para boi dormir. O Brasil vive de coisas inúteis. Há sempre uma conversinha para distrair os menos avisados. Sempre. Não vamos mudar tão cedo. Quem sabe daqui uns 300 anos? Por enquanto, vamos seguindo esse enredo sempre igual. Mais uma vez, a conversa fiada partiu do presidente Bolsonaro e já faz parte de discussões acaloradas entre os políticos brasileiros, essa casta privilegiada num país miserável. Agora Bolsonaro começou colocar em dúvida se será candidato à reeleição em 2022. E fala isso de maneira tão natural que muitos incautos acreditam. Ao mesmo tempo, tudo que ele faz indica o contrário. Chega a afirmar que só sairá do governo em 2026. Mas continua a dizer que não garante se será candidato.

Por enquanto, procura um partido político no qual possa dar as ordens em tudo. Um partido para chamar de seu. Mas é difícil, mesmo ele sendo o presidente da República. Falando à rádio Cidade, da Bahia, na quarta-feira, 28, o presidente sinalizou que seu destino é se filiar ao PP (Partido Progressistas), aquele enfiado até o pescoço no assalto à Petrobras. O partido do senador Ciro Nogueira, que virou ministro da Casa Civil. O suplente de Nogueira no Senado era a mãe dele, que já tomou posse. Pode uma coisa assim? País absurdo. O senador vai ser ministro e, na vaga dele no Senado, fica a mãe. Uma beleza! Bolsonaro observa que tem que arrumar um partido político para disputar a eleição de 2022 e afirma que não garante entrar na disputa. O presidente integrou o PP por 20 anos, dos 28 que habitou o baixo claro da Câmara Federal. Fala que não vai concorrer em 2022 caso o Congresso Nacional não aprove o voto impresso. Já chegou a dizer que “eleição sem voto auditável não é eleição, é fraude”. Mas essa conversa não colou. Quase ninguém quer saber dessa conversa, a começar por praticamente todos os partidos políticos, que aprovam o voto eletrônico. Agora, Bolsonaro anda aborrecido com tudo, até com ele mesmo. Ser candidato ou não à reeleição vai depender, também, de sua relação com o Congresso Nacional, repleto de “patriotas” que lutam pelo país até a morte, se for preciso.

Bolsonaro confia que a situação com o Congresso vai melhorar, com a nomeação do senador Ciro Nogueira para a Casa Civil. Diz ter certeza de que a interlocução vai melhorar muito. Afirma que entregou ao líder do Centrão a alma do governo. Fora isso, o presidente assegura que Ciro Nogueira está feliz porque era seu sonho um dia ocupar um cargo como esse. Convém lembrar que, na eleição de 2018, Nogueira apoiou Fernando Haddad, do PT, dizendo que Bolsonaro tem um caráter fascista. Convém lembrar também que o novo ministro já disse e repetiu muitas vezes que Luiz Inácio da Silva foi o melhor presidente de toda a história do Brasil. Atualmente, Ciro Nogueira está sendo investigado pela Polícia Federal. A Receita Federal cobra do novo ministro R$ 17 milhões por sonegação. É também investigado pelo STF acusado de receber R$ 6,7 milhões de propina das empresas JBS e UTC. O novo ministro da Casa Civil nega tudo. É assim que funciona. O país entra em mais uma temporada de conversa para boi dormir. Bolsonaro será ou não candidato à reeleição? Oh! Dúvida cruel! Seja como for, teremos mais um motivo para passar o tempo com as inutilidades de sempre.