Doria está com sinal de alerta ligado, mas quem tem apenas 2% não pode exigir nada

Candidatura depende de pacto do seu partido com Cidadania, União Brasil e MDB; Bruno Araújo, o presidente tucano, já deixou claro que não vai lutar pelo ex-governador de São Paulo

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 14/04/2022 15h31
ALOISIO MAURICIO/FOTOAREN/ESTADÃO CONTEÚDO - 11/04/2022 O ex-governador João Doria de terno e gravata, em foto com fundo preto João Doria foi escolhido pré-candidato do PSDB, mas corre o risco de ficar fora das eleições

Acendeu uma luz vermelha na cabeça do ex-governador João Doria. Toda aquela festa no Palácio dos Bandeirantes, com 1.500 pessoas, entre elas centenas de prefeitos, pode não ter valido nada. Na cerimônia, ficou acertado que Doria seria mesmo o candidato do PSDB à Presidência da República. Mas as coisas mudam de repente neste vale de lágrimas que é o Brasil. A luz vermelha acendeu, e o tucano começa a se mexer para evitar o pior. No encontro com empresários do grupo Esfera Brasil, nesta terça-feira, 12, o presidente do partido, Bruno Araújo, disse uma que aliança com outras siglas é maior do que as prévias da legenda. Isso significa que a candidatura de Doria está dependendo, agora, do pacto com Cidadania, União Brasil e MDB. Em outras palavras, a candidatura poderá ser considerada extinta. Ou mais fundo: nunca existiu. É assim que funciona.

“Não vejo apoio do PSDB para seguir com uma candidatura que não seja dentro desse pacto”, afirmou Araújo, acrescentando que a candidatura de João Doria terá todo o apoio do PSDB se ela tiver acolhida dentro desse conjunto político da aliança nacional com todos os partidos. Fora isso, o desgaste será imenso. Os quatro partidos fizeram um acordo para definir um candidato único para a chamada terceira via. O presidente do PSDB afirma que Doria concordou, dizendo: “Eu topo!”. Se for assim, as cartas estão jogadas. As prévias dependem do acordo.

Na verdade, o PSDB está rachado desde a derrota do ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que não ficou quieto no seu lugar de preterido, apoiado pelo deputado Aécio Neves, que tem muitas diferenças a resolver com João Doria. Bruno Araújo assegura que o PSDB vai homologar a candidatura que for definida pelos quatro partidos. “Pode ser o Doria, o Leite, a Simone, o Luciano Bivar”, afirmou, observando que pode ser até o ex-presidente Michel Temer se os partidos decidirem assim. Uma coisa o presidente tucano deixou bem clara: não vai lutar pela por Doria apenas por ser o ex-governador do seu partido. Não. Adiantou que chegou a hora de atender a sociedade brasileira. É uma boa frase — (“Chegou a hora de atender a sociedade brasileira”) —, só que já foi dita milhares de vezes e nunca atendeu sociedade nenhuma.

Araújo observou que primeiro se escolhe o candidato e depois os critérios, adiantando que João Doria não pode ser candidato de si mesmo. Agora tudo depende de um consenso. A pré-candidata do MDB, senadora Simone Tebet, afirma que somente uma chapa única de centro será capaz de impedir a polarização da disputa entre Bolsonaro e Lula, declarando que os dois são o mesmo lado da mesma moeda. Eduardo Leite, por seu lado, afirma ser necessário avançar nos projetos, porque é preciso definir o futuro do país que se meteu numa divisão que não pode seguir adiante. Já Doria está na espera. Só se sabe que ele tem uma luz vermelha acesa em sua cabeça. Se vai aceitar um nome que não seja o seu, ninguém sabe ainda. Pela sua gana, deduz-se que não vai ser fácil. Mas, como dizem muitas lideranças do PSDB, quem tem apenas 2% na intenção de voto não pode exigir nada. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.