Eleição para o governo de São Paulo se mede pela rejeição dos candidatos

Fernando Haddad, do PT, detém o primeiro lugar na intenção de votos para o governo paulista, mas é, também, o primeiro entre os mais rejeitados

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 26/04/2022 14h26
Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo haddad Fernando Haddad, do PT, aparece na liderança das pesquisas sobre intenção de votos, mas também é o que tem maior rejeição

Não é só de eleição presidencial que vive um país. Quase ninguém fala nas candidaturas aos governos dos Estados, onde o jogo é duro também. Tomemos São Paulo como exemplo. E vamos medir essa corrida pela rejeição. De acordo com as pesquisas eleitorais, Fernando Haddad, do PT, detém o primeiro lugar na intenção de votos para o governo paulista. Ocorre que Haddad é, também, o  primeiro entre os mais rejeitados pelos eleitores de São Paulo. Quer dizer: Haddad é o campeão, até agora, nas duas pontas. Entre as pessoas pesquisadas pelo Datafolha, 34% disseram que não votam em Haddad de “jeito nenhum”. 

Em segundo lugar no quesito rejeição, aparece o nome do ex-ministro da Educação, aquele que mandaria para a cadeia todos os ministros do STF, Abraham Weintraub (Brasil 35), com 25%. O que tem a menor rejeição é o candidato do presidente Jair Bolsonaro, Tarcísio Freitas (Republicanos), ex-ministro da Infraestrutura. É rejeitado apenas por 16% do eleitorado paulista, de acordo com as pesquisas. De qualquer maneira, o menino maluquinho do PT está com os louros de campeão da rejeição em São Paulo o que, de alguma maneira, se estende a Luiz Inácio, o corrupto, candidato a presidente depois de ter sido solto graças a um golpe do Supremo Tribunal Federal. Convém dizer que este colunista se sente mal em escrever sobre essa gente que habita esse universo de malfeitores. 

Os que dizem conhecer o petista “muito bem” somam 37%, os que só ouviram falar são 29%, e os que “conhecem um pouco” são 27%. Haddad lembra que sua candidatura ao governo paulista foi muito discutida no PT, porque havia a candidatura de Guilherme Boulos, do Psol. São dois partidos particularmente iguais. Assim, uma candidatura poderia inviabilizar a outra, na divisão dos votos. Assim, foi necessário conversar muito para que Boulos aceitasse retirar sua candidatura em favor de Haddad. O PT, por seu lado, prometeu que apoiará Boulos na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Não é um bom negócio confiar no PT, mas esse é o acordo. 

O professor Fernando Haddad sabe dessa rejeição, mas sabe, também, que está em primeiro lugar na intenção de votos dos paulistas. Haddad observa que São Paulo necessita “desesperadamente” de alternância de poder, após quase 30 anos de governos do PSDB. Assinala que sua candidatura está alinhada com a candidatura de Lula à Presidência a República. Adianta que já era tempo de os Estados da região sul do país lançarem candidatos progressistas com programas que casem com a modernidade, o desenvolvimento social. Diz, ainda, que São Paulo vem perdendo importância na economia nacional, por conta de gestões atrasadas do PSDB.

Já o vice-campeão em rejeição, Abraham Weintraub, estava morando nos Estados Unidos, onde ocupou um cargo no Banco Mundial. Voltou ao Brasil para ser candidato ao governo de São Paulo e manter acesa a chama dos valores conservadores, como ele afirma, acrescentando que esses valores foram engolidos pelos crocodilos do sistema. Atualmente, Weintraub é crítico do presidente Bolsonaro. Os dois estão rompidos porque Bolsonaro se uniu ao Centrão, que o ex-ministro considera ser hoje a alma do governo. Para Weintraub isso é inadmissível. Uma de suas principais prioridades é evitar – como ele diz – a “favelização” do Estado, porque é na favela que surgem as coisas erradas. Então estamos assim. A questão eleitoral se mede também pela rejeição dos candidatos. O que está correto. Weintraub não acredita no Datafolha, aliás, não acredita em nada que venha da Folha de S.Paulo. Seja como for, se a rejeição valer de verdade, o menino maluquinho já é o novo governador paulista.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.