Haddad sabe que buscar alianças para o PT não é difícil, é impossível

Partido ainda não encontrou nome que agrade a todos para integrar a chapa que vai disputar o governo de São Paulo

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 22/06/2022 14h48 - Atualizado em 22/06/2022 14h49
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO Fernando Haddad Fernando Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo

O PT não quer o Psol na chapa de Fernando Haddad na disputa pelo governo de São Paulo. O pré-candidato Fernando Haddad pensa o mesmo. Na questão do nome do vice, o Psol está descartado. É um assunto que não existe. Haddad anda pensando muito nessa questão. Sabe que precisa conquistar uma boa parcela dos conservadores para se eleger. Então o Psol simplesmente não serve, por ser um partido bem pior que o próprio PT. Já o Psol pressiona e quer como vice de Haddad o presidente do partido, Juliano Medeiros. O PT já tirou Guilherme Boulos (Psol) da disputa para ficar mais à vontade. Boulos aceitou e será candidato a deputado federal. Agora o partido de Haddad tenta empurrar o presidente do Psol para ser candidato ao Senado. Colocando-se no lugar do eleitor, Luiz Marinho, o presidente do PT em São Paulo, resume a história de uma maneira realista, dizendo o seguinte: “Já estou engolindo o PT e agora vem o Psol junto? Precisa achar alguém deglutível para o eleitor”. Aliás, essa posição vem sendo repetida por um grande número de dirigentes petistas de São Paulo. Pelo menos eles reconhecem que são poucos os que ainda suportam o partido. Mas só tocam nesse assunto em caráter reservado. Se o nome não for encontrado logo, os partidos da coligação – Rede, PV e PCdoB – vão discutir a questão. Caso a definição seja mesmo alguém do Psol, o PT e Haddad preferem que seja uma mulher negra.

Falou-se inicialmente na ex-ministra Marina Silva (Rede), o que o PT descartou, criando um clima que ainda não foi superado. Tanto que Marina chegou a dizer que se o PT continuar com tantas exigências, a Rede acabará abandonando o apoio ao Haddad. Não dá para aguentar tanta conversa. Na verdade, o nome de Marina agrada a Haddad, mas não ao PT. O candidato petista afirma que o nome de Marina ajudaria a enfrentar o antipetismo que existe em São Paulo. No fundo, Marina já disse que não tem interesse nenhum de ser vice do petista. Ela apoia Haddad, somente isso. Não pretende misturar-se com o PT novamente, onde foi humilhada de maneira escandalosa por Lula, quando era presidente da República e ela, ministra do Meio Ambiente. Marina quer distância. Outro nome que vem sendo citado é ainda o de Bela Gil, filha de Gilberto Gil, que tem programa na televisão apresentando receitas veganas. Bela Gil é filiada ao Psol. Ocorre que o Psol não concorda. Se for assim, ela vai continuar a fazer suas comidinhas delicadas longe da política, o que faz bem. 

Os petistas estão se aproximando de Gilberto Kassab, o dono do PSD. Mas Kassab já avisou que, se houver acordo, o nome do vice do partido será o do ex-prefeito de São José dos Campos, interior de São Paulo, Felício Ramuth, que vive metendo a boca no PT. Agora entrou na história o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, pré-candidato à Presidência da República. Bivar já se reuniu com Haddad, mas não se sabe ainda o que de fato significa essa aproximação. De repente surge o nome do vice de Haddad. Está mesmo difícil encontrar alguém que o PT aceite de bom grado. Enquanto esse nome não aparece, Haddad vai fazendo ele mesmo a sua costura para conseguir apoio. Mas ele sabe que costurar com o PT não é difícil, é impossível.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.