Mesmo com tantos escândalos de corrupção e mentiras, quem manda no PT ainda é o Lula

Fernando Haddad, sempre deslumbrado com as coisas, vai começar a viajar como pré-candidato, mas se Lula escapar mesmo da cadeia, o candidato é ele

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 10/02/2021 14h12 - Atualizado em 10/02/2021 14h13
Banco de Imagens/ Estadão ConteúdoSTF deu autorização para que Lula tenha acesso a mensagens trocadas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol

Na semana passada, Luis Inácio Lula da Silva chamou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para uma conversinha rápida: “Haddad, comece a percorrer o Brasil como pré-candidato à Presidência da República pelo PT em 2022″. O ex-prefeito ouviu direitinho o que disse o seu chefe e acatou a ordem. Afirmou apenas que não há mais tempo para nada e chegou a hora de colocar o bloco na rua. Não dá mais tempo de esperar o julgamento de suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que poderá anular as condenações de Lula, devolvendo a ele os seus direitos políticos. Nesse assunto, Lula conseguiu o que desejava. De uma maneira vergonhosa em todos os sentidos, o Supremo Tribunal Federal rejeitou nesta terça-feira, 9, o recurso contra o acesso às mensagens contidas nos celulares de integrantes da Lava Jato em conversas com o ex-juiz Sergio Moro. A ligações foram invadidas ilegalmente por hackers, e a defesa do líder petista quer usar esse material conseguido de maneira criminosa para tentar anular os processos que o ex-presidente responde na Justiça. E isso inclui as duas condenações no caso do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia.

O relator foi o ministro Ricardo Lewandowski, seguido pelos ministros Nunes Marques, Carmen Lúcia e Gilmar Mendes. O ministro Édson Fachin votou contra. O placar da segunda turma do STF ficou em 4 a 1. Então chegamos a isto: a Suprema Corte do país torna legal uma ilegalidade criminosa que nunca foi explicada à sociedade. Com isso, Lula deslumbra a possibilidade de disputar a eleição presidencial em 2022. E diante disso, já despachou Haddad para o interior do Brasil, como pré-candidato, o que poderá mudar com os acontecimentos. O ex-prefeito já esteve em Brasília com o pessoal do PT para comunicar que começará sua peregrinação pelo país, como Lula pediu. Pediu, não, determinou. O PT é mesmo um partido sério, não é mesmo? Comandado até hoje por um ex-presidiário, acusado de ser o mentor do maior escândalo de corrupção do mundo, quando a Petrobras foi destruída de tanto dinheiro desviado. Um escândalo que não passaria em brancas nuvens fosse este um país civilizado. Mas aqui, mudaram até as leis para tirar Lula da cadeia com a ajuda do STF. Pois esse sujeito continua a mandar no partido, o que revela que a esquerda brasileira é mesmo vagabunda e não tem vergonha na cara. E vai ser sempre assim. Mudar para quê? O governador da Bahia, Rui Costa, do PT, não está gostando dessa conversa, porque ele alimenta a ideia de ser o candidato do partido à presidência em 2022, caso Lula seja impedido. Fernando Haddad não está nem aí. Já dá ordens, sendo ele o escolhido de Lula, o ex-tudo. Tanto que Haddad vai começar a agendar viagens para os fins de semana, apesar da pandemia. O problema é que hoje, entre os petistas, há muitas dúvidas sobre Lula. Muitos, que se escondem no anonimato, não aceitam mais sua liderança, dizendo que seu tempo já passou e muita coisa aconteceu que fez da estrela do PT um símbolo da corrupção. Outros afirmam que mesmo que a defesa de Lula consiga a anular as condenações do tríplex e do sítio em Atibaia, ele não terá mais condições físicas para encarar a guerra da eleição, pois já estará com 75 anos, e isso pesará muito numa eleição que contará com a candidatura de Jair Bolsonaro.

Fora isso, ignorando a figura de Lula, o chamado novo “líder” da esquerda (que esquerda?), Guilherme Boulos, do PSOL, que surpreendeu na eleição pela prefeitura de São Paulo, entrou na história observando que o país precisa de um projeto, não de nomes. Afirma que o nome de um candidato deve ser o ponto de chegada, não de partida. Isso significa que lançar o nome de Fernando Haddad como candidato à presidência, no fundo, é uma grande idiotice de quem não tem o que fazer e não quer largar o osso, mesmo completamente distante da realidade brasileira atual. Boulos diz que a esquerda (que esquerda?) deve debater para chegar a um ponto comum e aí, sim, escolher o candidato. Em outras palavras, o psolista diz que o melhor para Lula é ficar quietinho no seu canto e agir de acordo com os fatos políticos e não se antecipar como se fosse dono de tudo. Já a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirma que, se Lula não puder concorrer, o nome de Fernando Haddad é “quase natural”. Por que quase natural? Não é bem assim. Outros três nomes do PT estão interessados em ser o candidato do partido, os governadores Rui Costa, da Bahia, Camilo Santana, do Ceará, e Wellington Dias, do Piauí, além do senador petista Jaques Wagner. Mas Gleisi diz isso para inglês ver. Quem manda no partido? Lula. Então é ele que decide. Mesmo com as ideias carcomidas, mesmo pensando que ainda vive nos anos de 1960, mesmo com tanto escândalo de corrupção nas costas, mesmo com tanta dissimulações e mentiras, quem manda é ele. Sendo assim, o coitado do Fernando Haddad, sempre deslumbrado com as coisas, vai começar a viajar como pré-candidato. Caso Lula escape mesmo da cadeia, o candidato é ele. Talvez Haddad, no caso, se transforme em vice. É, está mesmo na hora de colocar o bloco na rua. E atrás do bloco desfilarão milhares de palhaços sem perspectiva dentro de um circo prestes a desabar. Certamente Bolsonaro deve estar torcendo para isso dar certo. Nada mais fácil do que derrotar o PT nas urnas atualmente ou em 2022. As pessoas querem distância desse partido, querem distância especialmente de Lula, que traiu a própria vida. Tudo que pregou por mais de 20 anos fez pior quando chegou ao poder. Então que vá para o inferno.