PSDB está a caminho do fim, só falta colocarem FHC como candidato à presidência

Eduardo Leite divulgou carta de apoio a Doria, mas diz que está disponível para um projeto nacional; enquanto isso, uma ala do partido não quer nem Doria nem Leite disputando as eleições de 2022

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 25/04/2022 14h37
Fundação FHC/Divulgação Ex-presidente FHC sentado, posando para foto Fernando Henrique Cardoso foi presidente da República entre 1995 e 2003

Mais um circo está sendo criado no Brasil. Terá o glorioso nome de “Circo da Terceira Via”. Um circo que promete muitos espetáculos. Os componentes iam se reunir hoje para discutir o que fazer, mas o encontro já foi desmarcado. Um circo cheio de vaidades. O clima político está efervescente. Cada vez mais. É veneno para todos os lados. Nesta sexta, 22, o que para muitos foi uma surpresa, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, comunicou por carta que desiste de ser candidato à Presidência da República e que passará a apoiar o ex-governador João Doria, com quem manteve uma reunião desagradável. Mas deixou claro que está “disponível” para um projeto nacional, caso seja o desejo do centro democrático, principalmente do PSDB. Adiantou que dará todo o apoio ao ex-governador paulista, mas lembrou que em todas as pesquisas o seu nome está na frente de Doria. É só um jogo de cena. O vale-tudo já começou faz tempo. Que conversa é essa? Desistiu, mas está disponível?  

O que agora está se falando abertamente é que o ex-governador João Doria não será mais candidato do PSDB à Presidência da República. Essa informação vem do próprio partido, como se fosse um grande segredo. Mas não existe segredo nenhum, conforme diz o presidente do Solidariedade, deputado federal Paulinho da Força, que esteve reunido com o deputado tucano Aécio Neves, que demonstra satisfação em comentar o assunto. Aécio garante que João Doria já foi avisado. Desse encontro entre Aécio e Paulinho da Força, na segunda-feira, 18, participou também o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que vem minando a candidatura de Doria já há algum tempo. Leite não se conforma com o resultado da prévia do PSDB que indicou Doria como candidato do partido. Mas Leite não está sozinho nessa parada. Tem muita gente no PSDB, mais da metade, que não aceita a candidatura de João Doria, amarrado sempre nos 2% nas pesquisas eleitorais. 

Aécio Neves diz que essa será a única maneira de salvar o PSDB de um vexame histórico. João Doria, por seu lado, tem evitado falar sobre essa questão. Prefere ignorar. Diz o que lhe é suficiente, que não vai desistir. Até o presidente da legenda, Bruno Araújo, não quer João Doria como candidato. Araújo é aquele que esteve no encontro com mais de 1.500 pessoas, das quais 600 prefeitos, no Palácio dos Bandeirante, para assinar o documento que confirmava Doria como o candidato  do partido. Tudo balela. Essa gente age como desfaçatez. Ele assinou. E daí? Daí nada! É o primeiro dos que falam contra a candidatura de Dória. O destino de Doria está nas mãos do PSDB, Cidadania, União Brasil e MDB, que vão escolher um nome de consenso para ser a terceira via nas eleições. 

O PSDB estava dividido entre Doria e Eduardo Leite. E agora surgiu uma terceira ala no partido que simplesmente não deseja nenhum dos dois. Quer que a legenda não tenha candidato nenhum. E enquanto toda essa gente discute, Aécio Neves vai comendo pelas beiradas. Diz que o partido poderá apoiar um nome que até agora esteve fora dessa disputa. Ele se refere ao senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará. Aécio anda dizendo que Jereissati vem ganhando “musculatura” e poder e, de repente, poderá ser a novidade para 2022. Afirma também que o PSDB tem de estar pronto para assumir uma candidatura de centro, seja de que partido for. Lembra que Jereissati foi um dos principais nomes da CPI da Pandemia do Senado. É um nome que se destaca por sua independência. O que chama atenção é que essa conversa está em todas as discussões dos tucanos, nas quais o nome de João Doria não é lembrado por ninguém. Falam de Eduardo Leite, mas, ao mesmo tempo, dizem que falta ainda determinação ao ex-governador do Rio do Sul. Então está sobrando Tasso Jereissati que pode ser chamado a qualquer hora. O PSDB está a caminho do fim. Daqui a pouco eles convocam o Fernando Henrique Cardoso.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.