Senadores se articulam em defesa do STF e do TSE

Parlamentares afirmam que a democracia está em perigo diante de tantos ataques

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 03/05/2022 13h14
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO Renan Calheiros concede entrevista após sessão da CPI da Covid-19 Renan Calheiros está entre os senadores que estão se articulando em defesa do STF

Quem diria? Senadores estão se articulando em defesa do Supremo Tribunal Federal contra os ataques do presidente Bolsonaro. São parlamentares ligados ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), para os quais essas críticas de Bolsonaro ao STF já passaram da conta e isso acaba prejudicando a própria democracia. Pacheco e Luiz Fux, presidente do STF, se encontram para tratar do assunto. Os senadores dizem que as manifestações de Bolsonaro deixaram de ser uma crítica e já se transformaram em uma ameaça. Esse movimento no Senado começa a crescer à medida em que aumentam, também, as críticas do presidente da República. Esse grupo de senadores já se reuniu com o ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, discutindo o mesmo assunto. Entre os senadores que estão dispostos a enfrentar Bolsonaro em defesa do STF estão Randolfe Rodrigues (Rede), Renan Calheiros (MDB), Tasso Jereissati (PSDB), Marcelo Castro (MDB), Simone Tebet (MDB), Marcelo Castro (MDB), Eduardo Braga (MDB), e vários outros. Esses senadores afirmam que cansaram de ver tanta crítica de Bolsonaro contra o Judiciário, particularmente o STF e o TSE, qualquer que seja o motivo. 

Parece que esse é o desejo do presidente de ver, sempre, o país numa espécie de corda bamba, e enquanto o país fica na corda bamba, os verdadeiros problemas brasileiros seguem num segundo plano. Tudo é cortina de fumaça para esconder as grandes mazelas. A conversa de alguns senadores desse grupo foi realizada na semana passada. Começou na manhã de um dia e foi até o anoitecer. Um dia inteiro trocando ideias. E a figura central foi o presidente Bolsonaro. Os senadores já falaram, também, particularmente, com os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luís Roberto Barroso. Os ministros do STF revelaram que se sentem isolados com a falta de defesa do Congresso. 

Um dos ministros, que permanece no anonimato, afirmou que isso significa o início de uma ditadura, como aconteceu com três países próximos. O primeiro passo foi isolar o Judiciário. Exatamente como está acontecendo no Brasil, com ataques constantes de Bolsonaro especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Em todos esses encontros, os ministros do STF demonstraram preocupação em relação à eleição presidencial de outubro. Afirmaram que se Bolsonaro perder, ele não vai reconhecer a derrota, o que provocará fatos graves no país. Outra preocupação é que Bolsonaro, já perto das eleições, sinta que será derrotado. Nesse caso, ele poderá inviabilizar a disputa, o que será um desastre total.

Os senadores que decidiram sair em defesa do Tribunal dizem que essa ameaça está no ar. É só preciso analisar os últimos acontecimentos. A democracia corre perigo. Por esse motivo – diz esse grupo  – eles decidiram realizar um movimento suprapartidário que também defenderá o desempenho do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, em todas as pautas que defendam as eleições e a democracia. A ação desse movimento se estenderá também ao Tribunal Superior Eleitoral. Na pauta dos senadores consta chamar observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil. Falando com a jornalista Bela Megale, de O Globo, na sexta-feira, 29, o senador Renan Calheiros disse que nenhum poder pode ficar sozinho e que é preciso mostrar solidariedade ao STF. Adiantou que os senadores desse grupo vão estabelecer um calendário de conversas com todos os setores e isso incluirá militares e ex-ministros da Defesa. Parece que todas essas manifestações seguem um roteiro escrito pelo presidente Bolsonaro, exatamente como ele deseja. O presidente adora ver o país se debatendo o dia inteiro, enquanto os problemas que interessam resolver ficam ao relento. As mentes perversas agem com perversidade, claro. E assim está sendo feito. Basta saber se o país suportará por mais tempo tantas manobras de um jogo cada vez mais perigoso.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.