Acho chic
Elegância não é sinônimo de etiqueta
Acho chic assumir que assiste BBB, mesmo sendo assinante da revista Piauí (super cult).
Gente que fala: “Já vou lembrar o nome dele” e, de fato, lembra.
Quem curte ir ao cinema sozinho. Independência é chic.
Acho chic falar chic (francês, inglês…), mas acho ainda mais a nossa tradução sonora: chi-que.
Acho chique não querer ter carta de motorista.
Desistir da progressiva e assumir o cabelo enrolado.
Não tirar cutícula, só empurrar.
Unha vermelha curta.
Escapar ilesa da unha em gel, preenchimento labial e cílios postiços.
Não carregar na maquiagem no dia a dia. Cara lavada, mesmo mostrando algumas imperfeições, acho chique.
Atrasar um pouco já foi elegante. Ainda bem que hoje não é. Chegar no horário – não atrasar, nem chegar antes (socorro!) – deveria ser o básico, mas nem sempre é. Portanto, ser pontual ainda é chique.
Mandar uma cesta de chocolates para a amiga que terminou um namoro. Delicadeza é chique.
Fazer natação no mar (se for na praia de Copacabana é chiquíssimo).
Pessoas com a postura ereta (não confundir com postura empinada).
Mulher baixa de rasteirinha.
Mulher mais alta do que o homem, de salto alto (só não precisa exagerar, digo por experiência própria).
Não usar bolsa com logotipo (amo as coloridas com o nome gravado da ID Bags).
Gente que resolve qualquer mazela com chá e um cochilo: “Tomei um chazinho, descansei um pouquinho e passou.” Tipo: chá de gengibre para dor de garganta; chá de macela para indigestão; de carqueja para dor de cabeça; de camomila para insônia… Confesso: eu já começo com uma dipirona.
Aliás, chá por si só é chique. Se ainda por cima for da tarde, por infusão, inglês ou vindo das Índias, aí vira automaticamente família real.
Coque + brinco pequeno + óculos de grau. Chiquérrimo.
Aliás, acho chique ter um furo só em cada orelha.
Não ter tatuagem, ou seja, ter sobrevivido ao tribal dos anos 1990 e à borboleta colorida dos anos 2000.
Meninas que usam azul.
Meninos que vão a festas SEM camiseta de futebol.
Acho chique quem faz questão de falar o nosso nome quando nos encontra na rua. Lembrar já são outros quinhentos.
Viajar só com as amigas aos 40 anos.
Ir a um café sozinha tomar um cappuccino (frappuccino já é podre de chique).
Pessoas que demonstram suas inseguranças.
Torcer pelos outros genuinamente. Chique de alma.
Gente que, ao saber que alguém é bipolar, como eu, se informa antes de julgar.
Quem vai diminuindo o tamanho dos potinhos na geladeira, conforme os pratos vão sendo consumidos e as porções ficando menores (minha mãe).
Chique é ter mais de 90 anos e salvar receita no Instagram, ouvir a missa no celular e usar o ChatGPT. E ainda fazer pilates e quiche de roquefort. Ou seja, chiquérrima mesmo é a minha avó.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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