Acho chic

Elegância não é sinônimo de etiqueta

  • Por Bia Garbato
  • 02/03/2026 12h08
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Freepik Mulher elegante caminha na rua

Acho chic assumir que assiste BBB, mesmo sendo assinante da revista Piauí (super cult).

Gente que fala: “Já vou lembrar o nome dele” e, de fato, lembra.

Quem curte ir ao cinema sozinho. Independência é chic.

Acho chic falar chic (francês, inglês…), mas acho ainda mais a nossa tradução sonora: chi-que.

Acho chique não querer ter carta de motorista.

Desistir da progressiva e assumir o cabelo enrolado.

Não tirar cutícula, só empurrar.

Unha vermelha curta.

Escapar ilesa da unha em gel, preenchimento labial e cílios postiços.

Não carregar na maquiagem no dia a dia. Cara lavada, mesmo mostrando algumas imperfeições, acho chique.

Atrasar um pouco já foi elegante. Ainda bem que hoje não é. Chegar no horário – não atrasar, nem chegar antes (socorro!) – deveria ser o básico, mas nem sempre é. Portanto, ser pontual ainda é chique.

Mandar uma cesta de chocolates para a amiga que terminou um namoro. Delicadeza é chique.

Fazer natação no mar (se for na praia de Copacabana é chiquíssimo).

Pessoas com a postura ereta (não confundir com postura empinada).

Mulher baixa de rasteirinha.

Mulher mais alta do que o homem, de salto alto (só não precisa exagerar, digo por experiência própria).

Não usar bolsa com logotipo (amo as coloridas com o nome gravado da ID Bags).

Gente que resolve qualquer mazela com chá e um cochilo: “Tomei um chazinho, descansei um pouquinho e passou.” Tipo: chá de gengibre para dor de garganta; chá de macela para indigestão; de carqueja para dor de cabeça; de camomila para insônia… Confesso: eu já começo com uma dipirona.

Aliás, chá por si só é chique. Se ainda por cima for da tarde, por infusão, inglês ou vindo das Índias, aí vira automaticamente família real.

Coque + brinco pequeno + óculos de grau. Chiquérrimo.

Aliás, acho chique ter um furo só em cada orelha.

Não ter tatuagem, ou seja, ter sobrevivido ao tribal dos anos 1990 e à borboleta colorida dos anos 2000.

Meninas que usam azul.

Meninos que vão a festas SEM camiseta de futebol.

Acho chique quem faz questão de falar o nosso nome quando nos encontra na rua. Lembrar já são outros quinhentos.

Viajar só com as amigas aos 40 anos.

Ir a um café sozinha tomar um cappuccino (frappuccino já é podre de chique).

Pessoas que demonstram suas inseguranças.

Torcer pelos outros genuinamente. Chique de alma.

Gente que, ao saber que alguém é bipolar, como eu, se informa antes de julgar.

Quem vai diminuindo o tamanho dos potinhos na geladeira, conforme os pratos vão sendo consumidos e as porções ficando menores (minha mãe).

Chique é ter mais de 90 anos e salvar receita no Instagram, ouvir a missa no celular e usar o ChatGPT. E ainda fazer pilates e quiche de roquefort. Ou seja, chiquérrima mesmo é a minha avó.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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