Nem São Longuinho salva: sou do tipo que deixa o celular dentro da geladeira e perde havaianas na praia

Guardo uma caixa inteirinha de brincos sem par e tenho a fantasia de que um dia vou encontrar um baú com todas as coisas que eu já perdi

  • Por Bia Garbato
  • 19/01/2022 10h00
Pixabay Celular esquecido em uma cadeira Celular esquecido em uma cadeira

Para quem sabe o valor de uma naninha para uma criança, ouça essa história. Estávamos viajando e eu fiz a besteira de lavar a naninha do meu filho. Todo mundo sabe que lavar a naninha, com o perdão da má palavra, é cagada. Tem qualquer coisa com o cheiro da baba que é fundamental para seu filho repousar e te deixar em paz. Mas essa não foi a única imbecilidade que eu fiz. Chegando em casa, me dei conta que eu tinha perdido esse paninho surrado e tão valioso. Dei uma rachada na cuca e lamentavelmente concluí: tinha esquecido na secadora do hotel. O problema é que essa secadora estava a 9 mil km da minha casa.

Na hora de dormir, no desespero, ofereci uma fraldinha do Mickey na tentativa de amaciar o coração do menino. Quando ele se ligou que se tratava de uma impostora (eu e a naninha), começou a tremelicar o beicinho, quase teve uma convulsão e abriu um berro que deu para ouvir lá na secadora onde estava a dita cuja. Tentei não entrar em pânico, fazendo respirações ritmadas, e quase desmaiei. Aquela noite ninguém dormiu. Nem na noite seguinte, nem na seguinte. Mas uma hora ele se acostumou com a ideia de que a mãe era sem noção (isso sem saber que eu ainda faria muitas dessas) e, para a alegria de todos, voltou a se entregar aos braços de Morfeu.

Perder coisas já faz parte da minha personalidade. Eu sou do tipo que deixa o celular dentro da geladeira. Perco um pé de havaianas na praia. E não tem jeito, tenho que chamar o resgate: meu marido. Ele acha até tarraxa na areia. Aqui, a lógica de que o homem perde e a mulher acha não vale. E o São Longuinho nessa? Já ofereço de cara 36 pulinhos, mas acho que ele já fez demais por mim nessa vida.

Eu tenho uma fantasia de que um dia vou encontrar um baú com todas as coisas que eu já perdi. Tipo o “achados e perdidos” do colégio, que, não preciso nem dizer, fazia parte da minha rota semanal. Muitas das coisas que eu perdi, me lembro com saudades. Eu tenho uma caixa inteirinha de brincos sem par (que eu guardo na esperança de um dia encontrar o baú). Mas, se um dia o encontrar, posso me deparar com um gel New Wave, um frufru verde limão da Pakalolo, um batom moranguinho e uma fita cassete do New Kids on the Block. Então, constatarei aliviada: tem coisas que devem ficar no fundo do baú.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.