Denise: Bolsa de Valores ainda deve ter ajustes para baixo

  • Por Jovem Pan
  • 03/10/2019 11h29
Paduardo/Brazil Photo Press/Estadão ConteúdoNesta quinta (3), na abertura, o dólar estava a quase R$ 4,12

Nós temos o dólar novamente em queda. Isso já chamou a atenção na quarta (2). Nesta quinta (3), na abertura, o dólar a quase R$ 4,12. Ontem, no fechamento, ele ficou pouco acima dos R$ 4,13. Uma queda de 0,68%.

A culpa é muito do movimento internacional. No exterior também houve essa variação do dólar frente a outras moedas, inclusive de países emergentes.

A questão é que o mercado global está trabalhando com uma preocupação muito grande em relação ao desempenho da economia mundial, em particular dos Estados Unidos.

Os indicadores divulgados lá têm sido observados com muita atenção. Já falamos sobre os dados do setor industrial deles, dados que decepcionaram. Antes uma queda muito forte de investimentos.

Em relação ao mercado de trabalho, na quarta-feira (2), tivemos um dado que no mês, em si, não trouxe grande preocupação. O problema é que houve uma revisão dos dados anteriores e a queda foi importante quanto a geração de vagas – não considerando as agencias governamentais.

Isso caiu de 195 para 157 mil, então mostra uma trajetória um pouco pior. Evolução também do mercado de trabalho que tem um dos melhores dados da economia americana, com uma situação de pleno emprego.

Isso ainda tem alavancado a economia em um ritmo bastante favorável, mas fica aquela preocupação da possibilidade da economia dos Estados Unidos entrar em recessão. Algumas instituições e agências já consideram que essa possibilidade está na faixa dos 40% a 50%. Não no curtíssimo prazo, mas o mercado sempre vai preparando o terreno.

Então nós tivemos de novo bolsas asiáticas com quedas acentuadas. Ontem elas tinha tido até variações inferiores na Europa. A Europa teve um dia muito tenso.

Hoje a Europa está sem uma tendência muito definida, temos bolsas em alta e bolsas em queda. Em Londres, por exemplo, cai 0,82%. Na França, a bolsa opera em alta de 0,31%.

Vamos acompanhar o mercado aqui no Brasil, a tendência ainda é de alguns ajustes para baixo de Bolsa de Valores. E aí temos vários reflexos. Não é só questão de crescimento, só de acompanhar a maré internacional.

Por exemplo, se houver uma queda da atividade global, a gente tem uma redução nos preços de commodities. Isso afeta as ações que operam nesse setor.

E nós temos os nossos problemas domésticos. Não vamos esquecer da questão da reforma da Previdência que ainda está em aberta com senadores pressionando o Governo em troca de algumas vantagens, aquela discussão toda quanto a partilha dos recursos do pré-sal.

Fica aquela preocupação, será que vai ser aprovada mesmo sem nenhuma alteração adicional? Será que não vai atrasar demais?

Então é isso. Nós temos fatores de preocupação que podem continuar pressionando o mercado. No caso do dólar, não há aquela força no mercado global. Aqui no Brasil podemos ter uma pressão menor de saída de recursos porque os investidores estão avaliando.

Talvez não vale a pena se desfazer tanto de posições em outros países buscando proteção porque a conjuntura global está mudando um pouco e os Estados Unidos tendem a ter essa desaceleração mesmo.