As novas fronteiras dos vinhos nacionais

Bebidas produzidas na região de Avaré, em São Paulo, e nas serras da Mantiqueira e da Canastra nos fazem crer que há vinhos nacionais fora do Rio Grande do Sul

  • Por Esper Chacur Filho
  • 03/07/2022 10h00
Arquivo Pessoal/Esper Chacur Filho Foto frontal de garrafas de vinhos Cabernet Franc e Syrah são vinhos que possuem um potencial gastronômico incrível

No começo deste século quem imaginaria que regiões como a Serra da Mantiqueira, Serra Catarinense ou mesmo a Serra da Canastra entregariam ao mercado vinhos de altíssima qualidade? E quem diria que na região de Avaré, Estado de São Paulo, se produziria vinhos com métodos ultramodernos de plantio, vinificação e guarda, outorgando um potencial único a bebida? Posso afirmar que estas regiões estão provendo o mercado com joias engarrafadas e que merecem toda a atenção do consumidor brasileiro e, por que não(?), mundial. Começo com a Casa Soncini, localizada na “Represa de Avaré”, região centro-sul do Estado de São Paulo, que já põe no mercado ótimos brancos, da casta Sauvignon Blanc, prontos para consumo e tintos com um potencial incrível, como é o caso do Cabernet Franc e Syrah deles. São vinhos que possuem um potencial gastronômico incrível; sem errar, considero que são vinhos de guarda e que merecem alguma espera em adega. Vale ressaltar que são frutos de maciços investimentos, coisa de quem tem no vinho uma paixão.

Da Mantiqueira a Casa Verrone nos brinda com um Syrah pronto para consumo e de uma delicadeza na fruta ímpar, cujo nome é Speciale. Desta vinícola também destaco o espumante que leva o nome da vinícola e é composto de 75% Chardonnay e 25% e Pinot Noir, pelo método tradicional dos espumantes com cinco anos de “Sur Lie”, vale conhecê-lo. Da Serra da Canastra destaco o, já premiado, Sabina, outro Syrah de categoria mundial, produzido pela  “Sacramentos Vinifer”, localizada no Município de Sacramento, em Minas. Este vinho ganhou alta pontuação no famoso “Guia Descorchados 2021”, inclusive merecendo a honraria seu Rose Syrah.

Por seu turno, lá de São Joaquim (SC), na Serra Catarinense, a “Villaggio Bassetti” vem produzindo vinhos excepcionais. Aproveitando o clima frio e um terroir todo próprio para o plantio e vinificação de castas europeias consagradas, a vinícola tem posto no mercado vinhos que surpreendem pela sua qualidade. Desde o seu Sauvignon Blanc, passando pelo Primiero (Cabernet Sauvignon), até o excepcional Pinot Noir (casta de difícil manuseio) que leva o nome de “Ana Cristina”, são vinhos que fazem qualquer preconceito com o vinho nacional ser afastado. E mais: nos faz crer que há vinhos nacionais fora do Rio Grande do Sul (com todo o respeito). Salut!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.