Niver Bossle, a advogada que escreveu o livro ‘Eu Odeio Advogados’ para humanizar a profissão

Profissional especializada em direito familiar afirma que virou autora para ‘expor a construção de uma carreira através de vivências’

  • Por Fabi Saad
  • 26/10/2022 10h00
Divulgação/Nicolas Calligaro Mulher loira sentada exibe seus livros em aparente noite de autógrafos Niver Bossle é advogada familiarista consensual e autora do livro "Eu Odeio Advogados"

Nossa Mulher Positiva é Niver Bossle, advogada familiarista consensual e autora do livro “Eu Odeio Advogados”. Niver nos conta as motivações para a produção de seu livro e os percalços que enfrentou até aqui, sobretudo em momento em que estava descontente com a advocacia. “Sempre acreditei que advogados poderiam usar mais da credencial para resolver problemas, sem depender da Justiça. E como a insatisfação pode ser uma eficaz mola propulsora da evolução, em meio às tarefas profissionais e às atribuições de mãe, dei ouvidos ao meu desassossego”, contou. “Partindo dele, idealizei uma estratégia e, no dia seguinte, comecei a colocar tudo em prática. Desse momento em diante, experimentei o sucesso profissional, econômico e, principalmente, sossego emocional. Hoje eu amo o que faço”, completou Bossle.

1. Como começou a sua carreira? O marco zero foi o momento em que decidi me dedicar exclusivamente à solução de conflitos, mantendo autonomia, sem depender do processo litigioso. Estava descontente com a advocacia em que tudo é judicializado. Sempre acreditei que advogados poderiam usar mais da credencial para resolver problemas, sem depender da Justiça. E como a insatisfação pode ser uma eficaz mola propulsora da evolução, em meio às tarefas profissionais e às atribuições de mãe, dei ouvidos ao meu desassossego. Partindo dele, idealizei uma estratégia e, no dia seguinte, comecei a colocar tudo em prática. Desse momento em diante, experimentei o sucesso profissional, econômico e, principalmente, sossego emocional. Hoje eu amo o que faço.

2. Qual o momento mais difícil da sua carreira? Eu seria insensata se relatasse apenas um momento, e talvez seria interpretada como arrogante se dissesse que não lembro de nenhum tão evidente. A verdade é que não vejo dificuldades como barreiras, e sim como parte do processo de crescimento intelectual e de escalada profissional. Dificuldades fazem parte do processo, e é através da solução delas que nos tornamos expert no que fazemos.

3. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa x empreendedora? Medindo pesos para que nenhum desses fatores sujeite o desequilíbrio do todo. Tenho a sorte de aprender com a vivência, refletindo sobre minha atuação e postura em todas essas esferas. Costumo pensar que eu sou a minha própria supervisora. Também considero a possibilidade de que, no futuro, perceba que errei feio em alguma coisa, mas hoje assumo integralmente a responsabilidade pelas minhas escolhas, de forma consciente e bastante madura.

4. O seu maior sonho? Desejo muito ver a mudança da advocacia para um trabalho de mais cooperação e eficiência. Hoje escuto de colegas relatos semelhantes a situações que já vivi. Percebo muitos advogados descontentes e que buscam se encontrar, sem se sujeitar a processos longos e a atuações aviltantes. Creio que esse é o sinal de uma revolução significativa, na qual a atuação preventiva e consensual será tendência, e o litígio, a exceção.

5. Qual sua maior conquista? Estar feliz fazendo o que faço. Lembro de me ver no passado em uma posição descontente com o que eu fazia. Sonhava em um dia me realizar profissionalmente. Cheguei a pensar que não seria com o direito. Mas construir um lugar diferenciado, alicerçado no que acredito como propósito na advocacia, é um trabalho que me preenche verdadeiramente. Hoje cultivo as sementes e colho feliz os frutos.

6. Livro, filme e mulher que admira? Não poderia deixar de citar “Eu Odeio Advogados,” minha primeira obra literária. No livro, consegui expor a construção de uma carreira através de vivências. Foi uma oportunidade incrível de traduzir em palavras a reflexão sobre o meu fazer e de saber o quanto e como essas histórias tocam outras pessoas. O propósito foi sensibilizar para a responsabilidade que cada um assume quando delega e quando recebe poderes para representar alguém. Eu desejo verdadeiramente mudar a forma como todos olham para advogados e para a advocacia. Anseio contribuir para acabar com o estigma social que macula uma profissão tão essencial. O filme que mais representa a realidade e conecta com a minha profissão é “História de um Casamento”, obra cinematográfica americana de 2019, do gênero comédia dramática, escrito e dirigido por Noah Baumbach. Fala sobre o divórcio de um casal com um filho pequeno e a diferente atuação de advogados. Admiro mulheres seguras, empáticas e que conectam em qualquer contexto. Seja uma excelente profissional ou aquela que se dedica exclusivamente a família. Dizem por aí que “se as mulheres se dessem bem, dominariam o mundo”. Refletindo sobre a piada de gênero, não há dúvida que possuímos habilidades para tal façanha, o que resta saber é a nossa capacidade de conexão para um projeto tão audacioso.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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