Infecções, risco de parto prematuro e até morte: as consequências de uma gravidez na infância e pré-adolescência

Prejuízos à saúde da mãe e do bebê são muitos, como prematuridade, anemia, aborto espontâneo, eclampsia e depressão pós-parto

  • Por Jaqueline Falcão
  • 23/06/2022 09h00
jcomp - www.freepik.com Adolescenet na cama p~]oe a mão na cabeça e exibe teste positivo de gravidez Um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade entre 10 e 19 anos no Brasil

Uma frase viralizou nas redes sociais: criança não é mãe. O motivo é a decisão  de uma juíza de Santa Catarina que impediu uma menina de 11 anos, grávida de 22 semanas e vítima de estupro, de realizar um aborto. O caso foi revelado pelo The Intercept Brasil. Durante audiência, a magistrada chegou a questionar se a menina não “suportaria ficar mais um pouquinho” com a gestação para que o feto tivesse maiores chances de sobrevivência. A gestação, atualmente, passa de 22 semanas. Criança não é mãe. E pronto. Infelizmente, estatísticas apontam que um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade entre 10 e 19 anos no Brasil. Os riscos à saúde dela e do bebê são muitos, como prematuridade, anemia, aborto espontâneo, eclampsia e depressão pós-parto.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez nesta fase aumenta a prevalência de complicações para a mãe, para o feto e para o recém-nascido. “Consideramos que, nessa idade é uma violência, e ela tem, sim, direito de interromper. Gestações que ocorrem em extremos da idade reprodutiva podem ser consideradas de alto risco. O corpo com 11 anos ainda está em desenvolvimento, e a gestação pode ter um impacto ou interrupção nesse desenvolvimento”, explica a ginecologista Denise Gomes, coordenadora de ginecologia e obstetrícia do Hospital Municipal do Campo Limpo, em São Paulo, e criadora do canal no YouTube “Mamãe Plena”.

Gestação de alto risco

Uma grávida entre 10 e 12 anos configura um pré-natal de alto risco, explica a ginecologista Mariana Rosário, do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Ela pontua que há riscos físicos para a menina, que vão desde a deficiência de nutrientes, risco de prematuridade pelo tamanho do útero. A faixa etária também traz um risco alto para pré-eclampsia (isso devido à probabilidade de desenvolver pressão arterial alta). “É um corpo imaturo. Ela não tem maturidade do sistema reprodutor nem comporta fisicamente. Essa gestação vai ser agressivel”, afirma Mariana. A diabetes gestacional também é uma realidade em uma gravidez nessa faixa etária.  “O bebê pode não ganhar peso adequado também”, explica a médica. O parto natural é improvável por alto risco.

Infecções vaginais e urinárias são outras gravidades, afirma o ginecologista e obstetra Rogério Tabet, especialista em atendimento pré-natal de alto risco. “Tanto uma quanto a outra estimulam o trabalho de parto prematuro. A bactéria pode passar, inclusive, para o bebê”, afirma Tabet. O ovário e a parte hormonal da menina que sustenta a gravidez ainda estão imaturos.  “O risco de morte existe, sim, pelo fato de ser uma gravidez de alto risco”, fala o médico. 

Abalo emocional

“Além disso, podemos citar doenças como anemia, maior probabilidade da realização de cesárea, possíveis problemas no parto e ainda temos as questões psicoemocionais que irão impactar pelo resto da vida”, alerta Denise Gomes. Mariana Rosário complementa: “Temos que falar dos riscos psicológicos, pelo fato de não ser uma gestação desejada”. Ex-perita médica do projeto Justiceiras, que atende meninas e mulheres vítimas de violência, a ginecologista e obstetra Camilla Pinheiro afirmou à coluna: “Essa juíza perdeu a oportunidade de exercer seu papel e quis exercer um papel religioso e misógino contra uma vítima. Enquanto mulheres não defenderem mulheres, não haverá justiça”.

Curtas

  • Spray nasal para sintomas depressivos 

Um spray nasal acaba de ser lançado no Brasil para o tratamento de sintomas depressivos em adultos. O medicamento cloridrato de escetamina intranasal foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A depressão é uma das doenças mais incapacitantes do mundo, e estudos têm demonstrado ainda que, quanto mais tempo de sintomas o paciente tem, menores são as chances de responder ao tratamento padrão. Com a chegada desse novo medicamento, pacientes que tinham pouca qualidade de vida por não responder ao tratamento existente passam a contar com uma nova alternativa que poderá mudar a realidade deles”, afirma o médico psiquiatra Humberto Corrêa, professor titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Lembre-se de não se automedicar e procurar sempre um médico para indicar o melhor tratamento. 

  • Dia Mundial de Prevenção de Quedas em Idosos

A data 24 de Junho é considerada como o Dia Mundial de Prevenção de Quedas em Idosos. Fraturas decorrentes de quedas são uma das maiores causas de morte na terceira idade: 70% dos óbitos por acidente após os 75 anos estão ligados a tombos. O fisioterapeuta especialista em traumatologia Cadu Ramos tem dicas para evitar. As cadeiras, tapetes, calçados e fios não devem estar no caminho da cama até a porta do quatro, por exemplo, nem nos corredores de acesso da casa. Atenção aos calçados: modelos em que o pé fica bem encaixado e com sola antiderrapante são os mais indicados parta se usar em casa.

  • Boa notícia para pacientes com asma

Após oito anos, foi atualizado o protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de asma. Agora, os pacientes com asma grave têm direito a uma terapia alvo de forma gratuita pelo SUS e pela saúde complementar (planos de saúde), uma vez que também existem imunobiológicos incorporados no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso se traduz como uma vitória aos pacientes asmáticos graves que ficavam reféns do uso de altas doses de corticoide oral para tentar o controle da asma. A disponibilidade gratuita de novos tratamentos é apenas um dos direitos dos pacientes com asma grave. No SUS, os asmáticos também podem consultar-se regularmente com um médico especialista, o pneumologista ou o alergista, realizar os exames para acompanhamento da doença, como sangue, radiografias e testes de função respiratória, recursos essenciais para manter a doença sob controle. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.