Bolsonarismo aposta na campanha ‘não vote em ladrão, corrupto ou traidor’ em 2022

Estratégia reeleitoral de Jair Bolsonaro vai explorar contradições e pontos frágeis dos adversários: a ‘descondenação de Lula da Silva’ e as supostas traições ao presidente cometidas por Sergio Moro e João Doria

  • Por Jorge Serrão
  • 06/12/2021 14h48 - Atualizado em 06/12/2021 18h09
José Cruz/Agência BrasilGrades de proteção em frente ao Palácio do Planalto

Pergunta relevante: “Bolsonarismo” e “Bolsonarianos” existem? Ou melhor: podem ser reconhecidos como um fenômeno político a ser levado a sério? Outra indagação fundamental: existe uma doutrina “Bolsonarista” ou “Bolsonariana”? Ou o movimento (natural?) se parece com aquele que forma as torcidas organizadas de clube de futebol? Ainda no campo da dúvida construtiva: qual é a identidade “Bolsonarista ou Bolsonariana”? Tem mais: será possível que exista (ou que se crie) um ethos “bolsonarista” ou “bolsonariano”? Será possível estabelecer um “conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região”? O fenômeno veio para ficar ou é transitório? É meramente eleitoral ou tende a perdurar, consolidando-se como uma “constante” política?

Certamente, essas perguntas e respostas produziriam uma interessante pesquisa acadêmica acerca de Jair Messias Bolsonaro. Por isso, valem mais questionamentos: O presidente é um personagem em construção ou já está consolidado? A indagação mais relevante (de nada fácil resposta): Quem é, de verdade, Jair Bolsonaro? A oposição de extrema esquerda o pinta de um jeito pejorativo. Ele há muito tempo é xingado de “fascista”, “genocida”, “demônio”, “brutamontes” ou qualquer termo que designe alguém “autoritário”. Os seguidores dele desenham de outro, bem próximo daquela imagem de “mito” (que ninguém sabe como surgiu). Ele é apontado como “honesto”, “sincero”, “impetuoso”, “corajoso”, “patriota”, “conservador”, “tiozão do churrasco” e por aí vai.

Não importa de que lado ideológico você esteja. Fato concreto é que Jair Messias Bolsonaro é o candidato a ser batido na eleição presidencial de 2022. Além da própria reeleição, a prioridade de Bolsonaro é eleger um maior número entre os 27 senadores compromissados (ou comprometidos) com a guinada liberal-conservadora deflagrada a partir de 2018. A campanha será baseada na linha anticorrupção, na divulgação do maior programa de infraestrutura em execução na história recente do Brasil e na melhora efetiva das condições econômicas (fator que terá de ser percebido, realmente, pela maioria do eleitorado). A oposição, sem proposta para melhorar o Brasil, aposta no caos econômico para impedir a reeleição de Bolsonaro. A situação joga tudo no pressuposto de que a maioria do eleitorado rejeitará candidatos com a pecha de “ladrão”, “corrupto” e “traidor”. Eis a estratégia do marketing bolsonarista contra Lula da Silva, Sergio Moro e João Doria.

Apesar de todas as estratégias de marketing (construtivas ou destrutivas), o fator decisivo para o voto será a percepção de melhora na economia. Por tal critério, Bolsonaro pode ser beneficiado se a economia realmente “bombar”. Mas pode ser prejudicado se a inflação (que afeta o bolso da maioria das pessoas) sair de controle. A oposição aposta no caos. A situação torce para tudo seguir melhorando. O jogo eleitoral de 2022 segue abertíssimo, na verdade, escancarado. Bolsonaro tem o benefício da máquina e a sustentação do Centrão. E todos os malefícios oriundos disso. Haja dialética!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.