Empresas privadas disputam a cotoveladas o mercado trilionário das vacinas contra a Covid-19

No setor privado, o governo quer os planos de saúde pagando vacina para os seus clientes; as previsões são simples, melhor pagar a vacina do que as contas nos hospitais em decorrência de internação

  • Por José Maria Trindade
  • 11/12/2020 08h57
EFE/EPA/DAN HIMBRECHTS/ArchivoSegundo o governo de SP, o Instituto Butantan começou a produzir um milhão de doses da CoronaVac por dia

A imunização é um mercado grande e está sendo disputado a cotoveladas aqui no Brasil por empresas privadas. Cifras na casa dos trilhões estão em debate. O presidente Jair Bolsonaro mostrou que, no fundo do debate sobre a vacina chinesa, a CoronaVac, está o faturamento. “Um mercado grande”, segundo alertou o presidente sobre a insistência do governador de São Paulo, João Doria. Os representantes de laboratórios percorrem gabinetes de influentes por aqui. Entre lobbies junto a deputados, senadores e Esplanada, os “pastinhas”, como são chamados, foram parar no Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recebeu os representantes de hospitais e clínicas privadas para um acerto inicial. A previsão, ainda não há decisão, é promissora. No setor privado, o governo quer os planos de saúde pagando vacina para os seus clientes. As previsões são simples, melhor pagar a vacina do que as contas nos hospitais em decorrência de internação. O ministro Eduardo Pazuello reafirma que a vacina contra o novo coronavírus será gratuita para todos, pelo SUS e não obrigatória. Para o setor privado, fica a possibilidade de distribuição para os clientes dos planos de saúde e fatalmente a vacina paga será mesmo disponibilizada nos hospitais e clinicas particulares. Aí, sim, está a fatia do fetiche de laboratórios e empresários do setor de saúde. 

Na mesa do ministro da saúde estão planilhas de custo das vacinas pelo mundo. Um grupo já mostra um preço de US$ 3 a US$ 10. Outras vacinas ficam ali na faixa de US$ 10 a US$ 20 e uma outra faixa, a da Moderna, apresenta um custo de US$ 37. Os cálculos informais vão no sentido de que a vacina chegue às clínicas a um valor de custo próximo de US$ 100 e seja aplicada por volta de R$ 1 mil.  O valor pode cair com o tempo, mas a previsão é de que inicialmente possa atingir os R$ 2 mil. O Ministério da Saúde avalia liberar a vacina para o setor privado quando houver a garantia de vacinação para todos no sistema público. Os valores assustam, e é motivo de debate interno no governo. A Economia reservou R$ 2 bilhões para a compra de vacinas, mas os valores podem chegar a US$ 2 bilhões, algo em torno de R$ 10 bilhões, para 200 milhões de doses. Uma soma respeitável e que entra em debate no momento de decisão da equipe do presidente Jair Bolsonaro, que já mandou a previsão de conta para o ministro Paulo Guedes resolver.