Os tanques passaram, e a política voltou a atacar o presidente

Manobra militar realizada em Brasília é comum, acontece desde 1988 e simboliza que a Constituição tem que ser obedecida e que Bolsonaro é o comandante das Forças Armadas

  • Por José Maria Trindade
  • 10/08/2021 12h56 - Atualizado em 10/08/2021 13h01
Mateus Bonomi/Agif/Estadão ConteúdoTanque da Marinha passa em frente ao Palácio do Planalto durante parada militar

Deputados e senadores ficaram assustados por nada. Uma das táticas da polícia na captura de bandidos é ligar a sirene e as luzes da viatura. Neste momento, os bandidos fogem, a prisão se torna esperada. Quem não tem medo ou não deve à Justiça, continua tranquilo na sua trajetória e, ao contrário, se sente até protegido pela presença ostensiva da força de segurança pública. A manobra militar aqui no Planalto Central é comum e acontece desde 1988. Nada demais. O ministro da Defesa, general Braga Neto, vem realizando exercícios com as tropas há três semanas, cada uma individualmente. Também normal em treinamento, já que é nesta situação, próxima à real, que se avalia a potencialidade e dificuldades dos soldados e a cadeia de comando. 

Ao contrário do que insistiram alguns, os militares não ficam nos quartéis, como diz a canção, “armados ou não, quase todos perdidos de armas nas mãos”. Há um trabalho duro, sistemático, técnico e constante. Os militares estudam, e muito. São bem preparados e todos, evidentemente, armados, cada um na sua especialidade. A passagem de tanques pela Esplanada e o estacionamento em frente ao Palácio do Planalto é simbólica, sim. Pela demonstração de que a Constituição tem que ser obedecida e que o presidente da República é o comandante das Forças Armadas, como sempre, e que não há o que temer. Os tanques, carros de combate e equipamentos militares foram aplaudidos por onde passaram na região do Distrito Federal, mas assustaram o Congresso e o Supremo.

A tropa passou, assustou alguns, agradou à maioria e seguiu a sua missão. E que comecem os treinamentos. O presidente Jair Bolsonaro comanda as manobras e tudo volta ao normal, ou seja, as disputas belicosas e as perigosas punhaladas da política. Escondidas, sem ostentações, mas muito mais traumáticas. No mundo inteiro, já existe uma avaliação fixa de que a verdadeira guerra mundial já está acontecendo e ninguém percebe. A disputa por dados é a nova realidade. A estratégia de ocupação territorial não vale mais a pena. Ficaram os símbolos do poder das armas. A verdadeira guerra acontece nos computadores e nos meios de comunicação. Ninguém pode se assustar quando os caminhões com seus links e parabólica estacionam próximos ao Congresso e Palácio do Planalto. São os veículos de comunicação atacando com insistência e normalidade.