Agronegócio brasileiro está na dianteira da digitalização no mundo

Levantamento mostrou que 46% dos agricultores do país optam por plataformas digitais, enquanto nos Estados Unidos o percentual é de 31%, e na Europa, 22%

  • Por Kellen Severo
  • 14/04/2021 09h41 - Atualizado em 14/04/2021 10h18
ALF RIBEIRO/AE/AENo Brasil, o estudo foi feito com cerca de 600 produtores e revelou que a idade é o fator que mais influencia na digitalização no campo

Os produtores brasileiros estão à frente dos norte-americanos e europeus na preferência por canais online para a compra de insumos, segundo pesquisa feita pela consultoria McKinsey. O levantamento mostrou que 46% dos agricultores aqui do país optam por plataformas digitais, enquanto nos Estados Unidos o percentual é menor, 31%, e na Europa ainda mais baixo, 22%. No Brasil, o estudo foi feito com cerca de 600 produtores e revelou que a idade é o fator que mais influencia na digitalização no campo. Ou seja, o perfil de um agricultor jovem, com menos de 45 anos, tem interesse maior em digitalizar a operação nas propriedades rurais. O uso das novas ferramentas online ainda não é homogêneo no agronegócio, o que significa dizer que grandes produtores conseguem acessar rapidamente as tecnologias agrícolas, enquanto pequenos produtores demoram mais. Entre as barreiras de acesso, estão os altos custos e a infraestrutura.

Para evitar que o elevado investimento individual deixe alguns agricultores de fora da nova era, cooperativas têm criado grupos de produtores para garantir acesso às plataformas digitais. A pandemia acelerou o uso das novas ferramentas no dia a dia, e a disposição para vender toda a safra no canal online também aumentou. Isso não significa dizer que o relacionamento presencial esteja perdendo espaço. A tendência é que a interação interpessoal se some às tecnologias digitais e ambas coexistam, e caminhem juntas. Com o avanço da digitalização no agro, vai acontecer também uma mudança no perfil de profissional demandado no campo. A expectativa é que cresça a procura por cientistas de dados,  profissionais de tecnologia e engenheiros agrônomos, preparados para compreender as informações geradas pelas máquinas e transformá-las em conhecimento prático na gestão do negócio nas fazendas.