Indústria vai rastrear risco de calote de venda antecipada do milho

Ferramenta vai permitir que os compradores do grão saibam se o produtor cumpriu ou não acordos que assumiu

  • Por Kellen Severo
  • 30/06/2021 10h00 - Atualizado em 30/06/2021 13h08
PixabayÉ previsto que alguns contratos não sejam cumpridos em função da quebra de safra, que é histórica

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Serasa Experian anunciaram uma parceria para monitorar a entrega da produção de milho vendida antecipadamente. A ferramenta vai permitir que os compradores do grão saibam se o produtor com quem estão fazendo negócios cumpriu contratos que assumiu ou se a produção de milho negociada pode estar associada a um contrato que não foi cumprido pelo produtor. O monitoramento do risco de calote será feito via plataforma da Abiove e Serasa com dados fornecidos pelas empresas que fazem parte da associação, entre elas algumas das maiores tradings em operação no Brasil.

A preocupação da indústria com o risco de inadimplência surge em um contexto em que o milho acumula alta no mercado externo de quase 100% em 12 meses e de mais de 80% no mercado doméstico. Muitos produtores que venderam antecipadamente a produção precisarão fazer a entrega física dos grãos nos próximos meses e receberão, em média, a metade do que vale o produto no mercado hoje. No começo deste ano, um exemplo da maturidade do mercado agro foi dado ao vermos a ampla maioria dos produtores cumprir os contratos antecipados de soja que haviam feitos. Na ocasião, produtores que comercializaram, por exemplo, ao redor de R$ 80 a saca, viram o mercado pagar aproximadamente R$ 160 e, mesmo assim, fizeram o esperado, cumpriram o programado.

No caso do milho, deve ser um pouco diferente. É previsto que alguns contratos não sejam cumpridos em função da quebra de safra, que é histórica. Os agricultores que perderam por seca ou geada precisarão de negociação. Há relatos de que alguns contratos estão sendo renegociados já para 2022 entre compradores e vendedores. Vamos deixar claro que a não entrega por quebra de safra comprovada é diferente da não entrega do produto por má fé. É compreensível a ação da indústria de monitorar riscos de calote em um cenário de alta das commodities, assim como é esperado que os produtores rurais continuem a cumprir os contratos assumidos previamente, a não ser que tenham problemas de quebra e precisem tratar com os compradores.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.