Atraso na entrega de glifosato e fertilizantes preocupa agro

Aprosoja BR relata problemas no recebimento de defensivos e fertilizantes; glifosato é o químico mais usado em lavouras do Brasil e falta pode prejudicar safra

  • Por Kellen Severo
  • 08/10/2021 09h00
ALF RIBEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO/AEExpectativa é de custos altos para insumos, peças e combustíveis para as novas safras de 2022

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja afirma que produtores rurais estão relatando atrasos na entrega de insumos para o plantio da safra atual. Na Jovem Pan adiantamos que isso estava acontecendo ainda na época do pré-plantio. Agora, com o desenvolvimento das lavouras, as preocupações com a distribuição estão mais evidentes. Há cancelamentos de contratos e de pedidos de compra de fertilizantes e defensivos, entre eles o glifosato, o herbicida mais usado no Brasil. A não entrega do químico é um risco, pela urgência dos agricultores de fazer a aplicação no momento atual, considerando as técnicas de manejo recomendadas para as culturas neste momento.

Congestionamentos em portos, rupturas nas cadeias de distribuição, crise energética em diferentes regiões do mundo e questões geopolíticas contribuem para formar o cenário problemático nas cadeias de abastecimento no pós-pandemia. China, Índia e Estados Unidos são os principais fornecedores de defensivos para o Brasil. Do país asiático vem quase 100% do glifosato consumido nas lavouras brasileiras. Há produtores que já estão com o produto garantido, há outros que receberam só uma parcela e há os que não conseguiram o produto no mercado. O produtor rural Antonio Galvan, presidente da Aprosoja Brasil, está preocupado com o cenário. “O pessoal está entregando devagar os insumos, mas o plantio começou mais cedo praticamente em todo o Brasil. O pessoal precisa disso, principalmente o glifosato, e o fertilizante, que tem bastante atraso praticamente em todos os Estados. Agora, é bastante grave pelo que a gente ouve de relato dos produtores”, conta.

No Tocantins, o produtor rural Dari Fronza, presidente da Aprosoja Tocantins, diz que, se houver frustração na safra atual, os efeitos serão sentidos com potencial de novas altas de alimentos ao consumidor. “O problema não é só no Tocantins. Hoje falei com uma grande revenda que tem empresa aqui, em Mato Grosso e outros Estados, e está muito difícil. Não estão conseguindo retirar adubo dos portos, não tem matéria-prima, navio está preso, é muito atraso. Vai ser um ano de muito caos. E o triste de tudo isso é o produtor desamparado e o preço do alimento. Se a produção for menor com certeza vai refletir lá na ponta, no supermercado”, afirma.

O foco do setor agro está nos desafios do presente e no que virá nas futuras temporadas. “Para a safra de verão os insumos estão equalizados no geral, há casos pontuais de falta, e possível falta de algumas ferramentas que implicariam em uso de outras de maior custo, o qual já está elevadíssimo este ano. E o alerta está para a safrinha e próxima safra com possíveis reduções de oferta de fertilizantes, além do que os preços já estão em níveis em que a relação de troca torna-se muito desfavorável”, explica o produtor rural e presidente da Aprosoja SP, Azael Pizzolato Neto. No cenário atual, há falhas na entrega e cancelamentos, mas não são generalizadas. A expectativa é de custos altos para insumos, peças e combustíveis para as novas safras de 2022. Será preciso muita prudência e gestão para lidar com o novo ciclo.