Clima provoca quebra na safra de grãos e derruba expectativas

Tempo quente e seco na região Sul do país e o excesso de chuva na Matopiba, que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ajudam a explicar a piora nas estimativas

  • Por Kellen Severo
  • 10/01/2022 09h00
Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo - 27/12/2021 Folhas dos pés de soja em plantação de Campo Mourão, no Paraná, dobraram por causa da seca

A expectativa de o Brasil atingir um novo recorde na produção de soja na temporada atual está sendo afastada por consultorias de mercado dia após dia. O tempo quente e seco na região Sul do país e o excesso de chuva nos Estados da Matopiba, que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ajudam a explicar a piora nas estimativas para a atual safra. Os efeitos climáticos estão associados à presença do fenômeno La Niña, que historicamente tende a provocar dias mais secos no Sul e úmidos no Norte e Nordeste.

A AgRural Commodities já reduziu a expectativa de produção em mais de 11 milhões de toneladas. A estimativa apontada na última semana descarta recorde e aponta produção total de soja em 133,4 milhões de toneladas. O bom desempenho de lavouras em áreas como Mato Grosso, por exemplo, não será mais suficiente para compensar perdas observadas nas demais áreas. A consultoria norte-americana StoneX também descartou que o Brasil atinja a mais alta produção de soja da história. A empresa prevê, agora, produção de 134 milhões de toneladas, volume inferior aos mais de 137 milhões colhidos na safra passada e redução de 11 milhões de toneladas frente à última projeção, divulgada em dezembro.

Não são somente as lavouras de soja que enfrentam problemas climáticos. O milho também. A safra de verão no Rio Grande do Sul, por exemplo, deverá ter perda de produção de 60%, de acordo com dados da Fecoagro gaúcha. As quebras podem ser observadas em produções como a do agricultor Joel Dalcin, do município Doutor Maurício Cardoso. Lá as lavouras estão secas, e as espigas, sem grãos. Dalcin não deverá semear a soja prevista em função da falta de chuvas.

O assunto está no radar do governo federal. Nesta quarta-feira, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deverá ir até Santa Catarina, onde a preocupação sobre os impactos da quebra de safra de grãos é grande, já que os custos de alimentação para aves e suínos tendem a crescer com a escassez de matéria-prima para ração. Também é esperado que a ministra visite Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, Estados que contabilizam perdas de produção. A expectativa é que sejam anunciadas medidas de socorro aos agricultores atingidos pela seca. As quebras de safra deverão ser reportadas pela Conab amanhã, no boletim que atualizará as condições da produção brasileira. Este será um importante termômetro para avaliar efeitos futuros dos preços dos alimentos na cesta básica e na inflação.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.