COP26: Brasil avança na agenda verde

País tenta restabelecer a imagem internacional, arranhada por episódios de desmatamento ilegal e incêndios florestais

  • Por Kellen Severo
  • 08/11/2021 11h51 - Atualizado em 08/11/2021 14h55
REUTERS/Bruno KellyNa COP26, o governo brasileiro assinou acordo para zerar desmatamento até 2030

A COP26, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, começou no dia 31 de outubro e vai até a próxima sexta-feira. Em Glasgow, na Escócia, gente do mundo todo está reunida para discutir formas de evitar problemas ambientais a partir da adoção de compromissos de reduzir emissão de carbono, metano e melhorar as práticas de sustentabilidade ao redor do planeta. O Brasil participa do encontro e tenta restabelecer a imagem internacional, arranhada por episódios de desmatamento ilegal e incêndios florestais. Ao aderir a novos compromissos ambientais, demonstrar ações práticas aqui adotadas e revelar tecnologias novas para manejos mais sustentáveis, o país avança na agenda verde. O presidente da Embrapa, Celso Moretti, é um dos respeitados profissionais brasileiros que está na Escócia e viajará por outras regiões do mundo nos próximos dias para evidenciar as ações já em prática por aqui.

Na mala estão dados que revelam a potência agroambiental brasileira. 1) Plantio Direto: o Brasil tem 47 milhões de hectares em sistema de plantio direto, tecnologia que apoia todo o trabalho de redução de emissão de gás de efeito estufa, pois mantém o carbono aprisionado no solo. Inclusive, o solo é um dos grandes armazenadores de carbono. 2) Fixação biológica de nitrogênio:  a Embrapa demonstrou que na safra 20/21 da soja o país deixou de emitir entre 100 e 120 milhões de toneladas de CO2 equivalente ao usar microorganismos para sequestrar nitrogênio da atmosfera. 3) Integração Lavoura Pecuária Floresta: o Brasil tem 17 milhões de hectares em ILPF, 85% deles em integração lavoura/pecuária no mesmo espaço. Por meio desse sistema são gerados produtos de baixo carbono ou carbono neutro. O próprio sistema que gera também neutraliza o carbono. 4) Tratamento de dejetos: milhões de toneladas são tratadas na agricultura de baixo carbono, o que impede a emissão de gases de efeito estufa. 5) A legislação brasileira estabelece que uma propriedade localizada na Amazônia só pode produzir em 20% da área, mantendo os outros 80% preservados. Tudo isso demonstra o regramento e o grau de tecnologia aplicados no Brasil, que permitem avanços em produtividade e sustentabilidade.

Na COP26, o governo brasileiro participou do acordo para redução da emissão de metano, apoiou a declaração internacional de líderes mundiais para preservar florestas e reduzir o desmatamento e degradação dos solos, se comprometendo com redução da emissão de carbono. No mundo pós-conferência do clima, o agro – que em 2020 foi o setor responsável por quase metade das exportações totais do país – tem a missão de dar continuidade ao aprimoramento das técnicas usadas na agricultura e pecuária, não só pela sustentabilidade ambiental, mas também pela econômica.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.