Rússia limita exportação, e oferta de fertilizante será menor no mercado

País é um dos principais fornecedores do insumo para agro brasileiro; restrição anunciada pelo governo Putin pressiona no curto prazo os preços de ureia, MAP, NPK e outros

  • Por Kellen Severo
  • 05/11/2021 09h00 - Atualizado em 05/11/2021 09h07
Pixabay Rússia anunciou nesta semana que vai limitar as exportações de fertilizantes nitrogenados

O governo da Rússia anunciou nesta semana que vai limitar as exportações de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, utilizada para a adubação do solo. A medida foi tomada para evitar a falta de produto e uma eventual pressão altista para alimentos no país, que é um dos principais produtores e exportadores de fertilizantes do mundo. A medida entrará em vigor em 1º de dezembro e restringirá a exportação de fertilizante nitrogenado a 5,9 milhões de toneladas e os embarques de insumo que contenham nitrogênio a 5,35 milhões de toneladas. Analistas ouvidos pela agência Bloomberg afirmam que as cotas não deverão ter muito impacto nas exportações, pois estão em linha com a quantidade embarcada pela Rússia.

A consultoria StoneX projeta que o recuo na oferta de nitrogenados do país será de 8%, e o de fosfatados, de 3,5%. A diminuição é relativamente baixa, mas não insignificante. A justa relação entre oferta e demanda levou os fertilizantes aos mais altos preços dos últimos anos, e qualquer corte de oferta pode contribuir para novos reajustes. O impacto mais sério em nitrogenados pode ocorrer, principalmente, no nitrato de amônio (NAM), já que a Rússia responde por 100% das importações brasileiras. A medida anunciada pelo governo russo é o novo fator altista sobre preços de ureia, MAP, NPK e outros fertilizantes, de acordo com Marcelo Mello, diretor da StoneX. “No primeiro momento estamos falando de uma pressão altista de preços, mas a partir do segundo trimestre vamos ver uma queda de preço. Isso deve se estender no terceiro trimestre. Então, tem uma função altista no começo, mas posteriormente uma queda de preços”, declarou.

A queda de preço projetada pela consultoria decorre de uma redução de demanda. A leitura é que as altas tarifas devem fazer produtores norte-americanos e brasileiros reduzirem o uso de fertilizantes em cerca de 30%, o que pode contribuir para arrefecer o ciclo altista do mercado. No mundo, Rússia, Canadá, Oriente Médio, China e Belarus estão entre os maiores exportadores. O Brasil importa 80% do fertilizante que usa na safra nacional, ou seja, somos vulneráveis às medidas adotadas por esses governos. O fertilizante é um dos principais itens do custo de produção por aqui. Se ele sobe, faz pressão também sobre o valor dos alimentos. É bem importante monitorar o mercado mundial e preparar a agropecuária para diminuir a dependência na importação do insumo essencial para a safra.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.