Crédito para silo se esgota em tempo recorde no BNDES; saiba quais bancos têm recursos

Apetite por investimentos segue alto no agronegócio do Brasil; setor é um dos que detém menor capacidade de armazenagem na comparação com concorrentes globais

  • Por Kellen Severo
  • 30/07/2021 10h00
Arquivo/Agência BrasilMenos de 30 dias após o lançamento do Plano Safra, o BNDES suspendeu a linha de financiamento com taxa de juros prefixada de até 7% ao ano para construção de armazém devido ao esgotamento de recursos

Um mês após o Plano Safra entrar em vigor, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) suspendeu financiamentos para construção de armazéns por causa do esgotamento de recursos para linhas com taxa de juros pré-fixada em 7% ao ano. A notícia não deixa de ser um bom sinal, já que mostra o interesse de agricultores em aplicar recursos em áreas de infraestrutura que vão gerar um diferencial competitivo. No Plano Safra, o governo destinou mais de R$ 4 bilhões ao Programa de Construção de Armazéns, aumento de 84% no volume de recursos em comparação com a temporada passada. Antes, o BNDES e o Banco do Brasil detinham exclusividade na equalização de recursos do Programa de Construção de Armazéns. Agora, o banco de desenvolvimento possui menos de 25%, informou o Ministério da Agricultura.

O governo afirma que há crédito disponível. Os recursos equalizados foram divididos entre o Banco do Brasil, Banrisul, BRDE, BDMG, e Caixa Econômica Federal. A Câmara Setorial de Armazenagem da Abimaq não prevê falta de recursos para investimento, segundo o presidente Paulo Bertolini. “Todos os bancos garantiram que têm recursos suficientes para toda demanda. Cada banco com sua própria condição e histórico de crédito e relacionamento. Varia de 9% a 11% com prazo que varia de cinco a 11 anos. Então, não vai faltar recurso para armazém das linhas espelhos. Vai faltar recursos com juros mais baixos do PCA do Plano Safra”, ressalta Bertolini.

Bancos que também estão atuando nesta linha PCA do Plano Safra:

  • BDMG: R$ 4,9 milhões;
  • BB: R$ 1,08 bilhão;
  • Banrisul: R$ 24,1 milhões;
  • BNDES: R$ 1,01 bilhão;
  • BRDE: R$ 5,3 milhões;
  • CEF: R$ 783,0 milhões.

A disponibilidade de recursos é vital para que o avanço na produção de grãos seja acompanhado de mais construção de armazéns. Dados da Conab apontam que o Brasil é um dos países com menor capacidade instalada nas fazendas em comparação com competidores do mercado global. A Argentina tem 40%, os Estados Unidos 85% e o Brasil possui cerca de 14%. Sabendo da necessidade do país de melhorar a infraestrutura, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso lançou a campanha “Armazém Para Todos” para incentivar a construção de silos para que o agricultor tenha onde guardar os grãos que produz.

Parece que o chamado tem funcionado, dado o esgotamento de recursos em bancos como BNDES e os resultados financeiros de companhias como a Kepler Weber, empresa líder no mercado brasileiro, que anunciou nesta semana o melhor desempenho da história para um segundo trimestre, com mais de R$ 242 milhões de receita líquida. Apesar da alta de custos do aço e do custo de produção dentro da porteira, há evidências de que a produção brasileira continuará a crescer e vai estimular novos investimentos no setor. Foi autorizado, aproximadamente, mais R$ 1,2 bilhão para contratações nas condições do PCA, com recursos obrigatórios, oriundos das exigibilidades dos depósitos à vista, com os quais todos os bancos que operam com crédito rural podem contratar.