Custo de produção da soja será 34% mais alto no biênio 2022/23

Despesa por hectare deve atingir um dos mais altos patamares em 20 anos, segundo estimativa do Cepea; consequências deverão ser sentidas na economia

  • Por Kellen Severo
  • 19/01/2022 09h00 - Atualizado em 20/01/2022 12h51
Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo - 17/01/2022 Plantação de soja com o sol se pondo ao fundo Os custos altos que atingem a produção de soja também são observados em culturas como o milho, trigo, arroz e feijão

O custo de produção de soja na temporada 22/23 será um dos mais altos em 20 anos, apontou um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea). O dado foi antecipado com exclusividade ao “Hora H do Agro”, aqui na Jovem Pan. A estimativa parcial de custo de produção projetada para Sorriso, em Mato Grosso, ficou 34% maior em relação ao orçamento da safra 21/22, saindo de R$ 3.945 para R$ 5.304. Em duas décadas não foram observados patamares como o atual. Na temporada 2003/2004, gastou-se R$ 3.506, enquanto no período de 2013/2014 foram desprendidos R$ 3.813.

As altas são puxadas principalmente pelo aumento de preço dos fertilizantes, herbicidas e energia, incluindo as despesas com óleo diesel. As consequências do elevado custo de produção deverão ser sentidas na economia brasileira, que contará com o setor agro menos dinâmico do que nos últimos anos. “Ela [alta dos custos] impacta negativamente para todo mundo, com diminuição dos investimentos. E o efeito multiplicador dentro de centros urbanos também diminui”, avalia Mauro Osaki, pesquisador do Cepea.

Os custos altos que atingem a produção de soja também são observados em culturas como o milho, trigo, arroz e feijão. Algumas lavouras devem gerar prejuízo aos agricultores, já que o preço do produto não paga o custo de produzi-lo. O arroz é um desses casos de rentabilidade negativa prevista na temporada 2022/23. Os insumos dolarizados e a ruptura na cadeia logística global contribuíram para elevar as despesas, mas o aumento de estoque e a formação de preço dependente do mercado doméstico fazem com que a conta não feche. O cenário de custo elevado é um desafio importante, que afetará o desempenho do agronegócio neste ano.

O setor continuará dinâmico e com contribuições para a retomada econômica, porém com menos fôlego do que o observado de 2020 para cá. A relação de troca entre soja e custo operacional efetivo não é uma das maiores dos últimos 20 anos. De acordo com estudo do Cepea, no biênio 2022/2023 serão necessárias 36,9 sacas para o custo operacional efetivo da lavoura. Nos últimos cinco anos, foram usadas 38,1 sacas. A alta no preço da soja neutralizou, em parte, os efeitos do aumento de custo.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.