Escassez de recurso preocupa agro mais que alta de juros

Suspensão em operações de crédito do Plano Safra eleva incertezas no setor; em menos de um mês do lançamento da temporada 22/23, BNDES desativou operações para linhas por esgotamento de recursos

  • Por Kellen Severo
  • 05/08/2022 10h00 - Atualizado em 05/08/2022 10h08
Alina Souza/Palácio Piratini Divulgação/Alina Souza/Palácio Piratini No agronegócio, a alta de juros foi apontada como um dos principais itens de preocupação no setor junto às dificuldades para acesso ao crédito rural

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia brasileira de 13,25% para 13,75% ao ano. O patamar é o mais alto em seis anos. Há um entendimento no mercado financeiro de que chegamos no teto ou muito próximo dele, que pode ser de 14% ao ano. Isso porque o comunicado do BC apontou que pode ser avaliado alguma elevação residual de menor magnitude na próxima reunião em setembro, considerando o cenário externo mais adverso diante de avaliações negativas para inflação e PIB, por exemplo. No agronegócio, a alta de juros foi apontada como um dos principais itens de preocupação no setor junto às dificuldades para acesso ao crédito rural, apontou um levantamento da Fiesp e Agroconsult que mediu a confiança do agro. O otimismo persiste, mas houve perda de fôlego pela alta dos custos financeiros.

Sobre o custo do dinheiro, podemos inferir que o pior momento está ficando para trás quando vemos as projeções para 2023. O Boletim Focus aponta a Selic em 10,50% ao ano, ou seja, abaixo dos patamares atuais. No entanto, o acesso ao crédito, que é fator fundamental para o setor investir e custear a produção, tem problemas. O desafio se refere principalmente ao Plano Safra, que é o programa de crédito rural com algumas linhas de financiamento com juros subsidiados. Em menos de um mês do lançamento oficial da temporada 22/23, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já suspendeu, temporariamente, operações para seis linhas por esgotamento de recursos. Segundo o governo, os recursos suspensos totalizam R$ 1,5 bilhão do total dos R$ 19,8 bilhões disponibilizados pelo banco de desenvolvimento. No ano passado, quando a alta demanda também levou à suspensão de empréstimos para algumas operações, demorou vários meses para a retomada. O Plano Safra atual disponibilizou R$ 115 bilhões com fontes equalizáveis e desse total, o BNDES responde por 17,2%.

O alto custo do dinheiro é uma condição da temporada atual, mas pior do que isso é a incerteza sobre a disponibilidade de financiamentos, especialmente para os tomadores que há anos usam taxas controladas no Plano Safra. Neste fim de semana, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Bastos, estará no Hora H do Agro aqui na Jovem Pan News para uma entrevista exclusiva em que esclarecerá o que está acontecendo com o crédito rural no Brasil, os riscos e as oportunidades que ainda estão sob a mesa. Fica o convite para acompanharem!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.