Consertar ou comprar novo? Tragédia no RS pode incentivar coleta de produtos, diminuir recursos naturais e lixo

Um reparo, em muitos casos, custa tão caro quanto comprar um novo e inviabiliza a recuperação do produto

  • Por Patrícia Costa
  • 13/05/2024 12h21 - Atualizado em 20/05/2024 20h57
RAPHAEL PIERRE/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO Vista de alagamento na Rua Max Juniman, no bairro de Humaitá, na cidade de Porto Alegre Eletrônicos, eletrodomésticos e carros que não poderão ser consertados podem virar material de reciclagem

As empresas estão diminuindo a vida útil dos produtos e nos obrigando a trocá-los num curto espaço de tempo. Tudo bem se você é antenado com as novas tecnologias e gosta de sempre ter o que há de mais moderno no mercado. Mas se eu quiser consertá-lo? Um reparo, em muitos casos, custa tão caro quanto comprar um novo e inviabiliza a recuperação. Na Europa e nos Estados Unidos, desde 2021, os governos ordenaram as empresas a fornecerem peças e manuais explicativos para o próprio consumidor consertar seus produtos, o movimento ficou conhecido como Right to Repair – Direito ao Reparo. Em tempos de discussões sobre economia sustentável, essa lei já deveria estar no nosso Código de Defesa do Consumidor. A obsolescência programada gera lixo, aumenta o uso de recursos naturais e é considerada um abuso de propriedade industrial.

Quando a água que toma conta de grande parte do Rio Grande do Sul baixar, milhares de eletrônicos, eletrodomésticos, carros não poderão ser consertados. A responsabilidade de receber esses produtos deveria ser do próprio fabricante. As indústrias podem usar esse material na reciclagem e até na produção de novos. O alumínio, por exemplo, uma vez fundido, pode se tornar matéria-prima para fabricação de qualquer coisa do zero. Que tal as marcas criarem pontos de coletas nos revendedores e receberem esses produtos e dar um desconto para que os moradores possam adquirir novos? A cadeia toda sai ganhando: consumidor, lojas, fabricantes e o meio ambiente.

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