JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Os Pingos nos Is | 18h00 - 20h00
Patrícia Costa

Entidades cobram Brasil na OTCA e Marina alerta para “Serra Pelada do petróleo”

Manifesto pede fim da expansão de combustíveis fósseis na Amazônia, enquanto ministra defende estudos amplos antes de exploração na margem equatorial

Patricia Costa

Daniele Zaneti, gerente de sustentabilidade da Petrobras fala durante audiência pública na Câmara para debater a possibilidade de explorar petróleo e gás na foz do Rio Amazonas
Brasília (DF) 31/05/2023 Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater a possibilidade de explorar petróleo e gás na foz do Rio Amazonas. Foto Lula Marques/ Agência Brasil. Lula Marques/ Agência Brasil

O Brasil chega à Cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Bogotá, no próximo dia 22, sob uma pressão de assumir liderança real na transição energética e na proteção da Amazônia. De um lado, mais de cem organizações da sociedade civil entregaram ao Itamaraty um manifesto pedindo que o país defenda o fim da expansão do petróleo e do gás na região, transformando-a em uma zona global de exclusão de combustíveis fósseis. A demanda vem carregada de simbolismo — não se trata apenas de um gesto diplomático, mas de um posicionamento que colocaria o Brasil na linha de frente de um movimento global por descarbonização. De outro lado, o debate interno mostra sinais de contradição. Em junho, o governo leiloou 19 blocos exploratórios na margem equatorial, arrecadando R$ 844 milhões com empresas como Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC. E, recentemente, o Ibama autorizou testes para perfuração no bloco FZA-M-59, na foz do Amazonas. Foi nesse contexto que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fez um alerta de que sem estudos ambientais amplos e prévios, o país corre o risco de criar uma “Serra Pelada do petróleo” — uma corrida predatória por recursos, com impactos ambientais e sociais irreversíveis. Marina defende a realização da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) antes de qualquer nova exploração, justamente para evitar decisões tomadas apenas por conveniência econômica.

[cta-selector name=”model2″ image1=”https://s.jpimg.com.br/wp-content/plugins/CTA-posts-selector/assets/images/640_3anos-JPNews.jpg” text2=”Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!” link3=”https://www.whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S” text4=”WhatsApp” icon5=”fa-brands fa-whatsapp” ]

A contradição não é pequena: o Brasil busca protagonismo climático global, mas mantém e até amplia frentes de exploração em uma das áreas mais sensíveis do planeta. Na OTCA, os líderes discutirão a chamada Declaração de Bogotá, que pode incluir ou não o compromisso de barrar a expansão de combustíveis fósseis na Amazônia. A ausência desse ponto enfraqueceria o discurso ambiental brasileiro e reforçaria críticas sobre o distanciamento entre retórica e prática. O dilema está posto: seguir apostando em uma economia que ainda depende fortemente do petróleo ou acelerar a transição para energias renováveis, aproveitando o capital político e ambiental que o país ainda tem. Não se trata apenas de proteger a biodiversidade ou de atender a metas climáticas internacionais. É uma questão de soberania e de visão de futuro. Se a Amazônia é estratégica para o planeta, explorar petróleo em seu território mais frágil é abrir mão, voluntariamente, desse ativo. Na próxima semana, o mundo estará olhando para Bogotá. E o Brasil terá que responder, com ações e não apenas com discursos.

[jp-related-posts ids=”2037251″]