Sergio Moro: um notório comunista ou agente da CIA? É hora de rir

Ex-juiz se filiou ao Podemos e, visivelmente, incomodou bolsonaristas e petistas com a possibilidade de se candidatar à Presidência; teorias infundadas mostram desespero dos adversários

  • Por Paulo Mathias
  • 28/11/2021 08h00
Cláudio Reis/Enquadrar/Estadão Conteúdo - 25/11/2021Pesquisas mostram que é real a chance de Sergio Moro disputar o segundo turno se resolver se candidatar á Presidência

A possível candidatura de Sérgio Moro à Presidência da República tem balançado o cenário político para 2022. Em 10 de novembro último, o ex-juiz se filiou ao Podemos e, visivelmente, incomodou bolsonaristas e petistas. Desde que deixou o governo, Moro vem sofrendo a desconstrução de sua imagem de juiz, provocada pelas sucessivas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela oposição de seus adversários políticos. Na verdade, a possibilidade de se ter Moro como presidente da República incomoda muita gente. Bolsonaristas passaram a soltar fake news, acusando o ex-juiz de ser comunista; por outro lado, os petistas se armaram e buscaram convencer os futuros eleitores de que Moro tem ligações com a CIA. Uma discrepância seguida de outra. Puro desespero. Não há nada para fazer além de rir.

Não bastando todas essas suposições infundadas, não param de chegar resultados de pesquisas que assustam ainda mais os candidatos até então seguros de sua imunidade política. A meu ver, essas pesquisas mostram um cenário real, mas criam falsas expectativas de algo que não está definido oficialmente pelo Podemos, muito menos por Moro. Diante disso, não acredito que Moro se candidate ao cargo mais alto do governo (já falei sobre isso no Morning Show), mas que lance, sim, sua candidatura para o Senado. Seria uma eleição mais certa, sem percalços. Embora uma pesquisa do PoderData aponte Lula com 48% das intenções de voto para a presidência da República contra 31% do ex-juiz da Lava Jato em eventual segundo turno. Se as eleições fossem hoje, segundo o levantamento realizado entre 22 e 24 de novembro, Moro, ficaria 17 pontos percentuais atrás de Lula, a menor diferença entre todos os pré-candidatos testados contra o petista, vitorioso em todas as simulações de segundo turno.

Quanto ao posicionamento do Podemos em relação à pré-candidatura de Moro, o partido sempre se posicionou para receber o ex-juiz como candidato a presidente. Na verdade, creio eu, que uma decisão como essa depende dos resultados das pesquisas que ocorrerão no período da campanha eleitoral, no meio do próximo ano. Antes disso, é um tanto precipitado se falar neste ou naquele cargo. Embora essa simples suposição já tenha criado um ambiente tenso nos bastidores políticos. Ademais, outro ponto que favorece o crescimento de Moro no espectro eleitoral é a frustração causada às forças de centro-direita, bastante divididas, pelo mau desempenho de Jair Bolsonaro no governo e a aliança com o Centrão (PP, PL e Republicanos). Em seu discurso de posse, Moro deixou claro que pretende buscar apoio daqueles que se decepcionaram com o atual governo e dos setores da sociedade que apoiaram a Operação Lava Jato. Fica claro que Bolsonaro terá no ex-juiz, caso se candidate à Presidência – o que, para mim, ainda está longe de se tornar realidade – um concorrente forte, que até poderá tirá-lo da disputa do segundo turno.

Em uma fala inflamada, no dia de sua filiação, Moro bradou: “Chega de corrupção, chega de mensalão”. O que mais uma vez reforça sua “arma” para uma candidatura a um cargo que preza pela moralidade e decência de seu representante. Acho que qualquer dedução a respeito de suas reais intenções seria precipitada. Há um caminho a ser traçado. Somente pesquisas concretas, durante o primeiro semestre de 2022, poderão trazer respostas a todos que aguardam uma decisão real de Moro. Tudo a seu tempo. Único fato que destaco disso tudo: ninguém chuta cachorro morto. Quem viver, verá.

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*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.