Constantino: Bolsonaro não é um legítimo representante do conservadorismo

  • Por Jovem Pan
  • 23/11/2019 08h44
Alan Santos/PRDe acordo com o comentarista, o Brasil não tem um projeto verdadeiramente conservador

A política nacional é dominada pela esquerda desde a redemocratização. Basta pensar que até os tucanos social-democratas já foram considerados direita – expondo as hegemonias que existem em Brasília.

O PFL tirou o liberal do nome – o que os liberais agradecem. Ninguém assumia a defesa dos valores liberais clássicos, menos ainda dos princípios conservadores.

Jair Bolsonaro lançou, nesta semana, o projeto da Aliança pelo Brasil. Alguns enxergam nele o primeiro projeto verdadeiramente conservador no país. Falso. Em que pesem alguns traços, de fato, conservadores, não se trata de um partido realmente alinhado ao conservadorismo.

As diretrizes não são exatamente o problema. Família, religião, defesa da vida – podem fazer parte de uma base programática conservadora, sem dúvida. Mas, por que então não é um partido conservador? Porque tudo gira em torno de uma pessoa, não de princípios.

E essa pessoa, o presidente Jair Bolsonaro, já deu vários indícios de seguir como inspiração para ideias nacional-populistas com viés autoritários de figuras como Olavo de Carvalho e Steve Bannon. É um projeto personalista demais para ser taxado de conservador.

O projeto pessoal e familiar de Bolsonaro não pode ser caracterizado como um partido conservador de fato, portanto. Ou seja, continuamos sem partido que efetivamente defenda os valores básicos do conservadorismo, como: o ceticismo com a politica e o poder, a prudência, a cautela, o viés antirrevolucionário e utópico, o apreço pelas instituições.

O que temos no seu lugar é um político que concentra em sua figura todo o messianismo redentor definindo-se mais pelo  oque odeia e ataca do que pelo o que defende e ama.

Não obstante, acostumada com a hegemonia de esquerda, a mídia aproveita a ocasião para colocar a caricatura do conservadorismo como um fiel representante do conservador. E questiona onde está a alternativa liberal na economia e nos costumes.

Foi o que fez Eliane Cantanhêde, no Estadão, questionando onde estava a direita liberal. Fica claro que, pra boa parte da imprensa, existe a direita permitida – e ela vai ate o progressismo nos costumes. Nada efetivamente conversador pode existir.

A tática consiste em chamar Bolsonaro de legitimo representante do conservadorismo, o que é falso. Liberal nos costumes tem de monte. A alternativa não pode ser entre liberalismo e olavismo.

Há espaço legitimo para o verdadeiro conservadorismo. O problema real é que Olavo e Bennon não representam esse conservadorismo. Sao defensores do nacional-populismo-tribal-autoritário.

Mas a mídia não aceita o conservadorismo e, por isso, usa essa caricatura para rejeitar o ideal conservadorismo. Bolsonaro é o espantalho perfeito para que os jornalistas possam condenar o conservadorismo e pedir o progressismo.

Em suma, a direita permitida no Brasil é equivalente o partido democrata americano – o Obama, ou seja, a esquerda.