Constantino: Bolsonaro não tem carta branca para decidir sobre tudo

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2019 09h12
ESTADÃO CONTEÚDOConcentração de poder é algo tirano, e não republicano

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou, nesta quinta-feira (15), a troca do superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, por motivos de “gestão e produtividade”. Segundo ele, qualquer cargo pode sofrer mudanças. “O único que levou facada e ralou quatro anos para chegar aqui fui eu. Ponto final. O povo confiou em mim o destino da nação. Eu tenho que decidir”, disse.

“Eu acho que sim. O presidente, quando falou sobre isso, disse também que ele que levou a facada, que ele tem que decidir porque é o que o povo espera dele, que ele ralou anos para chegar lá e ele precisa decidir. Em defesa de Bolsonaro, para começar sendo justo, ele percebe que há uma má vontade do sistema, da máquina, que estrutura que compõe o Estado tem uma implicância com ele, que é a mesma coisa que acontece nos Estados Unidos, com Donald Trump. Então eu entendo o desconforto dele, ele dizer que a Receita Federal estaria investigando a família de forma arbitrária, a gente até pode entender isso, mas feita essa ressalva, nada justifica, menos ainda a justificativa que ele deu, um grau de ingerência desse.

O presidente foi eleito, mas isso não dá uma carta branca para ele decidir sobre todos os escalões. Isso seria um grau de concentração de poder digno de um tirano, não de um presidente. Um presidente precisa saber delegar. Por exemplo, entre ele e o delegado que ele quer trocar, existe o ministro da Justiça e da Segurança Pública e o próprio chefe da Polícia Federal. Então são dois responsáveis antes da canetada dele. Então ele está parecendo aquele sujeito que quer ser o técnico do time, o capitão, o zagueiro, o centroavante fazer tudo: lateral, falta, escanteio e fazer o gol. Não funciona assim. Um bom líder precisa saber delegar e respeitar, inclusive, as entidades de Estado porque essa é a postura republicana que se espera de um presidente. O fato de ele ter sido eleito, ter ralado, ter levado facada e de, inclusive, poder estar incomodado com parte da máquina, não justificam um grau de controle sobre o estado pessoal e individualista dessa forma. Isso é errado e preocupante”, criticou Constantino.