Constantino: Bolsonaro não presta e temos que conversar com Lula?

  • Por Jovem Pan
  • 04/04/2020 07h38 - Atualizado em 04/04/2020 10h11
Jovem PanComentarista falou sobre editorial publicado pelo Estadão

O jornal Estadão em seu editorial nesta sexta recomenda política como vacina para a polarização de hoje. Há, segundo o jornal, um grande vilão que impede um debate civilizado: Jair Bolsonaro. Ele é o veneno da política, sem ele haveriam apenas conversas civilizadas em um chá das cinco entre Lula, Doria, entre outros.

O jornal começa invertendo as coisas, dizendo que é Bolsonaro quem dissemina o medo do caos, sendo que o presidente reclama justamente da histeria de todos defendendo a volta à normalidade o quanto antes, o que consideram irresponsável. Diz o jornal que o risco não é desprezível, a ala Bolsonarista, com o próprio Bolsonaro à frente, se dedica diariamente a atacar as autoridades que assumiram a responsabilidade de enfrentar a epidemia com medidas duras de restrição econômica e isolamento social.

A intenção é disseminar o medo do caos, a criar uma atmosfera favorável, a soluções liberticidas. Mas não é Bolsonaro quem diz que não pode vetar o cidadão de ir na praia, trabalhar, isso não é uma ditadura? Não são Doria e Witzel que adotaram medidas muito mais drásticas e autoritárias, sem o discurso de que sem elas vai ter o caos? Como liberticida é aquele que quer liberar as pessoas de circular e não os que desejam impor um confinamento compulsório pleno e até prender um pequeno comerciante que tenta sobreviver? Mas falta diálogo, articulação, diz o jornal. Como exemplo de mudança positiva, eis que o editorial cita o afago entre Lula e Doria. Isso mesmo, o Bolsonaro não presta, é o capeta em pessoa, um autoritário incivilizado. Temos que conversar com Lula, que roubou o país, nos levou na direção da Venezuela e cujo ditador ele defende até hoje. Vamos deixar ideologia de lado, desde que seja para atacar Bolsonaro.

Rogério Marinho, Tarcísio, Mandetta, Moro, Guedes, Tereza Cristina, Pontes, são representantes do obscurantismo. Boulos, Lula, Freixo, Ciro, Jandira Feghali, Gleisi, são iluministas seculares. E os isentões acabem ficando com o segundo grupo. O editorial fala em estimular as forças democráticas liberais, social democratas e da esquerda moderadas a encontrarem um eixo programático de articulação.

Todos, pelo visto, até Lula, Ciro, são muito bem vindos nessa articulação, com o intuito de eliminar o único veneno da política: Jair Bolsonaro. Sem ele, teríamos um Congresso decente, sem mensalão, voltado para os interesses do povo. Trocas de amor e não de farpas entre Lula e Ciro, Lula e Doria, Doria e Ciro. Eliminar Bolsonaro, eis a solução. Isolar Bolsonaro não basta, é preciso desmoralizar a ideologia deletéria que o sustenta, prega o jornal. Parece coisa de advogado esquerdista ou centrão fisiológico, que defende a tal direita permitida, que na prática é ou esquerda, ou corrupto.